O GLOBO – 25/10/2018
Ibope aponta que 73% dos entrevistados dizem que não receberam conteúdo de teor político pelo WhatsApp na semana da eleição.
Pesquisa do Ibope divulgada na terça-feira mostrou que a circulação de conteúdo pelo aplicativo WhatsApp com ataques e críticas a candidatos teve efeito limitado na decisão de voto de primeiro turno. O instituto questionou eleitores se, fora a propaganda eleitoral gratuita, eles receberam qualquer mensagem do tipo pela plataforma na semana anterior à votação —73% responderam que não. O aplicativo de troca de mensagens se tornou central no debate de propagação de marketing eleitoral e fake news durante a campanha.
O Ibope perguntou se a troca de mensagens pelo WhatsApp foi impactante para a formação de opinião do eleitor, e a maioria (75%) afirmou que não foi influenciada por conteúdo recebido na plataforma, contra 24% que disseram ter formado seu voto também a partir de conversas no WhatsApp.
A pesquisa também tentou medir contra quais candidatos houve maior distribuição de conteúdo negativo. A porcentagem de eleitores que receberam ataques contra Jair Bolsonaro (PSL) no WhatsApp equivaleu ao de destinatários de críticas a Fernando Haddad (PT): 18%. Outros 3% declaram ter recebido mensagens contrárias a Ciro Gomes (PDT) e 2%, a Marina Silva (Rede). Por fim, 1% dos entrevistados viu na plataforma conteúdo crítico a Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Eymael (DC), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (Novo), Vera Lúcia (PSTU) e João Goulart Filho (PPL).
Apenas quatro em cada dez entrevistados (43%) reconheceram não ter o hábito de checar se o conteúdo recebido é verdadeiro. Enquanto isso, 56% destacaram ter buscado a verdade a respeito.
Contratada pela TV Globo e pelo jornal “Estado de S. Paulo”, a pesquisa ouviu 3.010 eleitores em 208 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Outra pesquisa do Ibope, feita apenas no Estado do Rio entre 15 e 17 de outubro, também perguntou sobre o impacto do WhatsApp na disputa ao Palácio da Guanabara. Entre os eleitores fluminenses, 89% disseram não ter recebido conteúdo com críticas ou ataques pela plataforma contra candidatos ao governo.
A porcentagem de votantes que diz ter recebido conteúdo crítico aos candidatos que foram a segundo turno foi a mesma: 5% foram destinatários de mensagens do tipo sobre Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM).
Um terço dos eleitores do Rio (33%) revelou que o compartilhamento de conteúdo do tipo no WhatsApp ajudou na decisão de voto. Em contraste, 67% revelaram não ter a escolha influenciada pela interação no aplicativo.
Na pesquisa do Rio, 52% dos eleitores disseram não participar de grupo de WhatsApp com parentes. Um em cada três (30%) disse não ter entrado em brigas nesses grupos com familiares por causa de política. Outros 17% reconheceram atritos com a família por motivação política no aplicativo.