O GLOBO – 17/10/2018

A receita da Netflix, companhia de transmissão de vídeo pela internet, avançou para US$ 3,7 bilhões no primeiro trimestre de 2018, aumento de 40,4% na comparação com janeiro a março de 2018. O lucro líquido ficou em US$ 290 milhões, ante US$ 178 milhões 12 meses antes.

É o resultado mais forte da empresa para os primeiros três meses do ano desde que abriu capital em bolsa, há 16 anos. A expansão foi puxada principalmente por mercados de América Latina e Europa. A Netflix conquistou 7,41 milhões de novos assinantes de janeiro a março, superando as estimativas de que teria mais 6,35 milhões de usuários. No total, já são 125 milhões.

As ações da Netflix subiram até 8,3% em negociações após o fechamento da bolsa para US$ 333,21 depois que o resultado foi anunciado pela companhia. No fechamento do mercado, o papel encerrou com queda de 1,2%, em US$ 307,78, acumulando alta de 60% este ano.

A companhia, que tem a ação de melhor performance este ano no índice S&P 500, que traz os papéis das maiores empresas listadas na Nasdaq e na Bolsa de Nova York, prova a cada trimestre que a confiança dos investidores em seu serviço de TV on-line se justifica. A Netflix está usando sua base crescente de assinantes e caixa robusto para roubar talentos dos maiores produtores de programas e construir um estúdio de Hollywood para a era da internet. 

Com o avanço em 40% em vendas, o lucro por ação chegou a US$ 0,64, ante US$ 0,40 de janeiro a março de 2017. Para este segundo trimestre, a previsão da Netflix é que o lucro alcance US$ 0,79 por ação, alcançando uma receita total de US$ 3,93 bilhões. É estimativa comparável com as projeções feitas por analistas de US$ 0,65 por ação e um total em vendas de US$ 3,89 bilhões.

DESPESAS TAMBÉM AUMENTAM

A Netflix já comunicou a investidores que vai economizar recursos ampliando desenvolvimento e produção dentro da companhia, evitando precificações impostas pelos estúdios rivais. As despesas, porém, continuam crescendo na medida em que a empresa aumenta a produção em áreas como filmes, séries e programação infantil.

As obrigações totais com conteúdo sob demanda subiram para US$ 17,9 bilhões no primeiro trimestre deste ano, acima dos US$ 17,7 bilhões de três meses antes, sem incluir o orçamento em constante expansão para promoção de novos programas.

Em fevereiro, o produtor Ryan Murphy concordou em deixar a 21st Century Fox, onde produziu “American Horror Story”, ao fechar um acordo avaliado em US$ 300 milhões com a Netflix. Antes disso, a companhia assinara com Shonda Rhimes, produtora de “Scandal”, que deixou a ABC, da Walt Disney, para se dedicar exclusivamente a produções para a companhia.

No último trimestre, a companhia lançou a minissérie em formato de documentário “Wild, Wild Country”, a segunda temporada da série da Marvel “Jessica Jones” e o filme de terror “The Cloverfield Paradox”, dois dentre cerca de 700 títulos planejados pela Netflix para este ano.