O GLOBO – 02/10/2018

CORA RÓNAI

The King of DIY, meu youtuber favorito de peixe, chegou a um milhão de seguidores há alguns dias, e recebeu um troféu comemorativo do YouTube, o Gold Creator Award. Youtubers recebem troféus de prata quando atingem cem mil seguidores, de ouro quando alcançam 1 milhão e, quando batem nos dez milhões, diamante. Quando o canal de PewDiePie, o youtuber mais visto do mundo, completou 50 milhões de assinantes, recebeu um prêmio rubi exclusivo, esculpido com o formato do seu logotipo.

A maioria dos agraciados faz vídeos comemorativos no dia em que recebe o troféu, uma placa com um botão play, o nome do canal e a data. É sempre uma festa. Há uma variedade de vídeos de gente de todas as idades, e de todas as partes do mundo, fazendo unboxing dos seus troféus, pendurando-os na parede, levando-os consigo para viagens emblemáticas ou mesmo partindo-os ao meio para ver do que são feitos.

Ao ver o vídeo do Joey dos peixes, me dei conta dessa diferença fundamental entre o Facebook e o Google: o Google, bem ou mal, transforma os seus principais geradores de conteúdo em parceiros, dá força, comemora junto o sucesso. Conquistar um número significativo de seguidores é um feito que requer trabalho e dedicação, e é sempre estimulante saber que a plataforma onde isso acontece está atenta e na torcida.

Antes mesmo da marca dos cem mil seguidores, o Youtube oferece níveis de benefícios diversos para os seus criadores de conteúdo — cursos sobre como melhorar o material e ampliar o seu alcance, ferramentas, encontros deyoutub erse de especialistas, us ode estúdios, orientação gerencial para o canale assim por diante.

Além disso, páginas que geram grande engajamento rendem dinheiro aos seus desenvolvedores através de anúncios; a maioria recebe muito pouco, mas alguma coisa sempre pinga na conta. De qualquer maneira, ser youtuber já é profissão param uit agente. Osyo utu bersm ais bem sucedidos ganham dinheiro sério.

O Facebook, por outro lado, não está nem aí para os “facebookers”.

Pelo contrário — a impressão que os criadores de conteúdo têm é que a rede trabalha contra eles, na esperança de que transformem as suas páginas pessoais em páginas de fãs e passe magas tardinheiro para impulsioná-las e chegar aos seus seguidores. O nível de parceria é zero.

Não há nenhum esforço discernível do Facebook em ampliar o alcance orgânico das páginas, que volta e meia esbarram no algoritmo e passam meses sem ser exibidas sequer aos seus seguidores; não há qualquer orientação ou estímulo.

Na verdade, o único momento em que a rede “interage” com os seus criadores de conteúdo é quando tira o seu material do ar.

O Facebook tornou-se a quinta empresa mais valiosa dos Estados Unidos graças em boa parte ao trabalho dos “facebookers” que administram grupos e criam o conteúdo que congrega os usuários—eque não recebem nada pelos eu esforço.

A imagem doFa cebo ok vem sofrendo golpes sucessivos nos últimos tempos, por diferentes motivos. Apesar da sua quantidade sem precedentes de usuários, pouquíssimas vozes se levantam em sua defesa, e não sem razão. Todos usam o Facebook porque todos usam o Facebook, mas, onde não há parceria, não há amor.