O GLOBO – 22/10/2018

A Arábia Saudita viu a pressão internacional aumentar ontem para que forneça esclarecimentos sobre sua versão — considerada inadequada por governos aliados, ONU, União Europeia e ONGs de direitos humanos — do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em seu consulado em Istambul no dia 2 passado.


Khashoggi era crítico do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman e estava autoexilado nos EUA desde 2017. Ele desapareceu ao entrar no consulado saudita para obter documentos de casamento. Segundo a Turquia, ele foi assassinado por uma equipe enviada a Istambul especificamente com essa missão. Já o governo saudita alega que ele foi morto por asfixia ou estrangulado durante briga com agentes num interrogatório, numa missão desconhecida pela cúpula do reino. Riad alega não saber o paradeiro do corpo, que, segundo a Turquia, foi esquartejado.

Num novo endurecimento de sua posição, no sábado à noite, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a versão saudita“está toda confusa” eque houve“falsidades e mentiras” nas explicações dadas pelo reino. Em programas jornalísticos dominicais ontem, vários senadores e deputados democratas e republicanos nos EUA acusaram Bin Salman de estar por trás do crime.

— Vamos deixar que isso se desenrole, mas minha ap os taé que, no fim das contas, os Estados Unidos e ores todo mundo vão acreditar totalmente nisso — disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o republicano Bob Corker, ao programa “State of the Nation”, da CNN. — Ele passou dos limites, e deve haver punição.

‘GRAVE E ENORME ERRO’

Os governos de Reino Unido, França e Alemanha emitiram nota conjunta cobrando de Riad fatos para que sua explicação sobre o que aconteceu a Khashoggi possa ser considerada crível. O Canadá também levantou dúvidas. Em entrevista à Fox News, o chanceler saudita, Adel al-Jubeir, disse que o crime foi “um grave e enorme erro” e culpou elementos fora de controle no aparato de segurança do país, negando que Bin Salman soubesse da operação.