O GLOBO – 18/10/2018

O presidente americano, Donald Trump, disse ontem que os EUA pediram à Turquia quaisquer áudios ou vídeos que possam estar relacionados ao desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi.Trump, porém, fez uma ressalva que soou como mais uma defesa da Arábia Saudita, postura que vem adotando desde o início do caso, ao desacreditar as gravações reveladas pela imprensa turca, dizendo que“não tem certeza” de que exista tal evidência.

O presidente negou que estivesse tentando dar cobertura ao governo saudita no desaparecimento de Khashoggi.

— Eu só quero descobrir o que está acontecendo. Não estou dando cobertura (ao governo saudita) —disse.

Trump afirmou que espera um relatório completo sobre o caso Khashoggi a ser apresentado pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, na volta da viagem que fez à Arábia Saudita e à Turquia, onde se reuniu com líderes para discutir as acusações de que o jornalista teria sido assassinado.

Durante a viagem, Pompeo foi criticado por especialistas, como reportou o “New York Times”, por posar sorridente e descontraído entre líderes do reino saudita, além de ser evasivo quanto às respostas de Riad para as graves acusações.

Antes de deixar a Arábia Saudita, Pompeo afirmou que o país deveria ter mais tempo para concluir a investigação. Questionado sobre se as autoridades sauditas confirmaram a morte do jornalista, resumiu-se a dizer:

— Eu não quero falar sobre nenhum fato. Eles também não queriam.

A resposta causou reação negativa entre acadêmicos como Shadi Hamid, especialista em política do Oriente Médio na Brookings Institution. Para ele, as imagens do secretário de Estado americano e suas declarações em Riad “não são apenas má política, mas também constrangedoras”. Pompeo, disse Hamid ao “New York Times”, pareceu fraco e “insignificante”.

O secretário de Estado segue a linha do presidente, que vem defendendo a Arábia Saudita no caso que chocou a comunidade internacional, em nome das laços comerciais e estratégicos com o país. A Arábia Saudita, aliada dos esforços americanos para combater a influência iraniana na região, disse que vai retaliar qualquer pressão ou sanções econômicas.