O GLOBO – 09/10/2018

O governo turco pediu ontem permissão para revistar o consulado da Arábia Saudita em Istambul, depois que o jornalista JamalKhashoggi desapareceu, no último dia 2, durante visita ao prédio. No fim de semana, autoridades turcas disseram acreditar que Khashoggi foi assassinado no local.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que o governo saudita deve provar que o jornalista deixou o prédio após resolver suas pendências, como o país afirma.

—Temos que receber algum resultado da investigação o mais rápido possível. As autoridades sauditas não podem dar a questão por encerrada apenas dizendo que ele saiu (do prédio) —disse Erdogan.

Um funcionário turco afirmou à imprensa que o representante da Arábia Saudita no país foi convocado pelo Ministério do Exterior pela segunda vez no domingo. “Foi-lhe dito que esperamos uma coordenação total na investigação”, disse o funcionário.

Khashoggi foi ao consulado saudita na última terça-feira para retirar documentos de divórcio, pois ia se casar de novo. Autoridades sauditas afirmam que ele saiu do prédio pouco depois, apesar de sua noiva, a turca Hatice Cengiz, que o esperava do lado de fora, afirmar que isso não aconteceu.

Autoridades turcas disseram que o governo local de fato acredita que o jornalista foi morto dentro do consulado. De acordo com Erdogan, imagens do circuito interno de segurança estão em análise.

Khashoggi criticava as políticas da monarquia absolutista saudita, e se mudou em 2017 para Washington, por temer represálias, como escreveu em artigo para o “Washington Post”, do qual era colaborador.

O desaparecimento do jornalistapode complicar mais os laços já estremecidos entre Riad e Ancara. Desde 2017, quando a Turqui aficou ao lado do Qatar numa disputa regional, as relações ficaram tensas coma Arábia Saudita e outros Estados do Golfo —que cortaram relações comerciais e diplomáticas com o Qatar devido a suas ligações com o Irã.