O GLOBO – 08/10/2018

O governo da Turquia pediu ontem uma “explicação convincente” sobre o sumiço do jornalista saudita Jamal Khashoggi, colaborador do “Washington Post”, que está desaparecido desde a última terça-feira, quando foi ao consulado da Arábia Saudita em Istambul para pedir os papéis do seu divórcio. No sábado, investigadores turcos afirmaram à imprensa internacional que Khashoggi teria sido vítima de um “assassinato planejado” dentro do consulado.

Khashoggi criticava as políticas da monarquia absolutista saudita, mas não questionava o sistema político. Ele se mudou no ano passado para Washington, em um exílio auto imposto por temer represálias. A decisão de deixar acasa, a família e o trabalho foi explicada no primeiro artigo de Khashoggi para o “Post” “Eu posso falar quando os outros não conseguem”. No dia 2 de outubro, quando foi ao consulado,suano iva,Hatic eC en giz, que é turca, o esperou por 12 horas do lado de fora. Como ele não saía, chamou a polícia.

Os dois países dão versões diferentes para o caso. Enquanto os investigadores turcos disseram que ele foi morto premeditadamente, por uma equipe de 15 pessoas que teria viajado a Istambul com esse propósito e partido no mesmo dia, a Arábia Saudita afirma que ele deixou o prédio. O cônsul saudita chegou a abrir a missão a jornalistas no fim de semana na tentativa de mostrar que Khashoggi não estava no prédio.

O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, disse à agência de notícias Bloomberg que o jornalista teria permanecido pouco tempo no prédio, saindo “após alguns minutos ou uma hora”.

— Há informação concreta, o caso não vai ficar sem solução — disse ontem Yasin Aktay, alto conselheiro do partido governista turco AKP (Justiça e Desenvolvimento), à TV CNN. — O consulado nos deve uma explicação convincente. Se eles consideram que a Turquia é a mesma dos anos 1990, estão enganados.

Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou estar “entristecido” por Khashoggi, mas evitou acusar diretamente os sauditas, dizendo que aguarda o resultado da investigação. O governo dos Estados Unidos, maior aliado da Arábia Saudita, disse apenas que não pode confirmar nenhuma versão do ocorrido e que está acompanhando o caso.