O GLOBO – 19/10/2018
EDITORIAL
Iniciaram-se ali desdobramentos diplomáticos como envolvimento dos presidentes Trump; Erdogan, da Turquia; e do príncipe saudita Mohammed bin Salman, conhecido pelas iniciais MBS, homem forte do país, pessoa-chave na trama que levou ao desaparecimento de Jamal.
Isso mostra, de maneira crua, como é bruto o jogo no Oriente Médio. Nesse octógono diplomático, há fortes pressões da Casa Branca sobre o Irã, eleito o inimigo nº 1 por Trump, com apoio de Israel e do aliado saudita no Golfo. E delas faz parte a reimposição de duras sanções contra os persas a partir de 5 de novembro.
Até que veio o caso Khashoggi, para atrapalhar os planos. Coisa de ficção. O reino saudita não demonstra ter pruridos. Mas um assassinato de adversário político, em território oficialmente saudita, mas na Turquia, cria embaraços a Trump.
Mesmo republicanos pregam sanções contra a Arábia Saudita. Um dos alvos é o pacote de venda de armas, de mais de US$ 100 bilhões, aos sauditas.
No centro do enredo quase ficcional, está ofato de que os Estados Unidos precisam dos sauditas para aumentara produção de petróleo, a partir do dia 5 de novembro, afim de evitar que o preço do barril suba muito quando as sanções atingirem as exportações de óleo do Irã. A Arábia Saudita deverá inclusive aumentar as receitas, porque as cotações não deixarão de reagir. Por tudo isso, Trump resiste a desaprovar o aliado.
O quadro ficou pior para a Casa Branca coma descoberta feita pelo “New York Times”, usando software de identificação por imagens, que pessoas muito próximas aMBSdes embarcaram de dois jatos executivos na Turquia, vindos da Arábia Saudita, muito provavelmente para executar Khashoggi. Entre eles, um médico legista, para esquartejar o jornalista. O que indica a premeditação do assassinato. O drama não acabou.