O GLOBO – 17/10/2018
Cândido Gil Gomes Jr. começou a carreira como locutor esportivo em rádio, mas alcançou a fama ao levar a voz grave e a narrativa de suspense para programas policiais. Um incidente no fim dos anos 1960, quando trabalhava na Rádio Marconi, levou-o ao jornalismo policial. Ao saber de uma agressão sexual no prédio em que trabalhava, pegou equipamento e microfone e fez a cobertura da ocorrência ao vivo.
Como jornalista, Gil Gomes tanto criticava a polícia quanto dava visibilidade às suas ações. Em tempos de ditadura militar, esse equilíbrio o deixava vulnerável diante do governo e da bandidagem. Chegou a ser preso, mas sempre era solto por conta de suas relações.
Ganhou tanta fama que virou celebridade. Participava de programas de auditório, era convidado a fazer filmes interpretando a si mesmo. O cinema da Boca do Lixo, onde eram produzidas as pornochanchadas em São Paulo, praticamente o adotou nos anos 1970. Também fazia trabalhos assistenciais, mas nunca fez publicidade dessas ações.
‘AQUI AGORA’
Nos anos 1990, fez a conversão para a TV. Integrou a equipe do “Aqui agora”, do SBT, depois colecionou passagens pela TV Gazeta, Record e Rede TV!.
Afastou-se da TV por mais de dez anos ao ser diagnosticado com mal de Parkinson, em 2005. No ano seguinte, foi convidado a participar como comentarista em um programa patrocinado por uma rede de farmácias.
Gil Gomes morreu na madrugada de ontem, em São Paulo, por complicações geradas pelo mal de Parkinson e por um câncer de fígado, de acordo com a assessoria do Hospital São Paulo. O jornalista deixa cinco filhos e nove netos. O enterro está marcado para hoje, às 10h, em Guarulhos.