O GLOBO – 17/08/2018
Horas após o presidente Donald Trump reagir com informações falsas e acusações a mais de 300 jornais que criticaram em editoriais seus repetidos ataques a meios de comunicação, o “Boston Globe”, que coordenou a ação, sofreu uma ameaça de bomba.
“A MÍDIA FAKE NEWS É O PARTIDO DA OPOSIÇÃO”, disparou Trump, num rompante matinal no Twitter, no dia do movimento coordenado de editoriais.
Ele focou no diário de Massachusetts: “O ‘Boston Globe’, que foi vendido para o Fracassado‘NewYorkTimes’por(…) 2,1 BILHÕES DE DÓLARES, foi vendido pelo ‘Times’ por 1 DÓLAR. Agora, está em conluio com outros jornais sobre a imprensa livre. PROVEM!”
Em outro tuíte, Trump afirmou que “muito do que a imprensa diz é fake news, forçando agenda política ou tentando abertamente ferir o povo”.
O “Globe” comunicou, horas depois dos tuítes, ter recebido uma ameaça telefônica de bomba em sua sede. Autoridades afirmaram não acreditar que a mensagem fosse real, mas reforçaram a segurança no entorno do prédio.
Enquanto a imprensa não soube detalhar o que Trump exigiu que fosse provado, os editoriaiscoordenadoscriticaram sua equiparação dos meios de comunicação a veiculadores de notícias falsas.
E os dados que Trump usou eram falsos: o “Boston Globe” foi vendido ao “New York Times” por US$ 1,1 bilhão em 1993. O grupo editorial do jornal o revendeu por US$ 70 milhões a John Henry em 2013.
Também ontem, o Senado adotou por unanimidade uma resolução declarando que “a imprensa não é inimiga do povo”, desaprovando o presidente: “A imprensa livre exerce a função vital e indispensável de informar, revelar a verdade, agir como verificação do poder inerente do governo, promover discussões e debates (…) e avançar normas democráticas e liberdades básicas.”