O ESTADO DE S.PAULO – 20/08/2018

O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou ontem o jornal The New York Times em razão de uma reportagem que diz que o conselheiro da Casa Branca, Donald McGahn, tem cooperado há meses com a investigação realizada pelo procurador especial Robert Mueller, sobre a suposta colaboração de membros da campanha eleitoral do republicano com a Rússia.

Em uma série de tuítes, Trump afirmou que autorizou McGahn a cooperar plenamente com Mueller e não tem “nada a esconder”. “Permiti que o conselheiro da Casa Branca, o senhor McGahn, e outros membros do governo solicitados cooperassem completamente com o procurador especial. Além disso, entregamos sem alterações cerca de um milhão de páginas de documentos”, disse o presidente.

Ele acusou o jornal de insinuar falsamente que o conselheiro havia “se voltado contra” ele. “O fracassado New York Times escreveu um artigo falso hoje sugerindo que, pelo fato de o conselheiro da Casa Branca Don McGahn ter passado horas dando depoimento ao Conselho Especial, ele deve ser um ‘traidor’ como John Dean”, escreveu Trump, ao se referir ao conselheiro da Casa Branca de Richard Nixon que cooperou com as autoridades nas investigações sobre o caso Watergate.

“Por isso, os veículos de notícias falsas se tornaram inimigos do povo. Que vergonha para os EUA”, disse o líder americano. Em um comunicado, o departamento de comunicação do NYT disse que acredita na reportagem e nos repórteres que a escreveram, os quais foram acusados de “falsos” por Trump.

O artigo detalha como McGahn, temendo que pudesse ser feito de bode expiatório pelo presidente, descreveu as ações e a fúria de Trump com relação às investigações sobre a Rússia em ao menos três entrevistas voluntárias, em um total de 30 horas de depoimentos realizados ao longo dos últimos nove meses. Ele ainda forneceu aos investigadores informações sobre como Trump o instruiu sobre o que deveria responder aos investigadores.

Trump também denunciou a investigação federal sobre a ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016 como “o macartismo em seu pior momento”. “Não tenho nada a esconder e exijo transparência para que essa dura e desagradável caça às bruxas chegue ao fim”, afirmou ele.

Interferência da China. Ainda neste fim de semana, o governo americano acusou a China de interferir nas eleições americanas de 2016. “Todos esses idiotas que se focam na Rússia deveriam começar a olhar em outra direção, a China”, disse Trump no Twitter.

A publicação passou despercebida até que o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, foi questionado ontem no canal ABC sobre o assunto. Ele também acusou Pequim – assim como Rússia, Irã e Coreia do Norte – de tentar interferir no processo eleitoral americano. “Certamente posso dizer a vocês que é ameaça suficiente à segurança nacional dos EUA – a ingerência da China, do Irã, da Coreia do Norte – para que tomemos medidas a fim de tentar contraatacar”, disse Bolton.

Pressionado para especificar como esses países, especialmente a China, tentaram influenciar as eleições americanas, o conselheiro foi vago. “Não quero entrar nos (detalhes) do que vi, ou não, mas posso dizer que, para as eleições legislativas de 2018, esses são os países que mais nos preocupam”, disse.