O ESTADO DE S.PAULO – 21/08/2018
O Google está sendo acusado na Justiça dos Estados Unidos de monitorar ilegalmente os passos de milhões de usuários de celulares iPhone e Android mesmo quando estes ajustam as configurações de privacidade dos aparelhos para evitar que isso aconteça.
Na noite da última sexta-feira, um usuário protocolou, no tribunal federal de São Francisco, uma ação alegando que o Google violou a privacidade de milhões de americanos. Ele sustenta que a empresa mentiu ao dizer as pessoas que elas não seriam rastreadas se desligarem o recurso “histórico de localização” dos celulares.
O suposto monitoramento do Google foi descrito em uma investigação feita e publicada pela agência de notícias Associated Press no último dia 13. O Google não comentou.
Responsável pela ação, Napoleon Patacsil disse que o Google ilegalmente monitorou seus passos por dois celulares diferentes – um Android e um iPhone – depois que ele fez download de alguns aplicativos da empresa.
Até agora, o documento foi assinado apenas por Patacsil, mas ele quer ampliar ação para um processo coletivo em nome de todo os usuários do Android e de aparelhos da Apple nos EUA que se sentirem lesados.
Na ação, ele pede reparação de danos não especificados por violação intencional das leis de privacidade do Estado da Califórnia e por intromissão nos assuntos pessoais dos usuários. Michael Sobol, advogado no escritório Lieff Cabraser Heimann & Bernstein, que representa Patacsil, não retornou pedidos de comentários.
Força. A reportagem da AP foi replicada por veículos de imprensa do mundo inteiro. Três dias depois de vir à tona a investigação, o Google mudou em seu site o texto que se refere ao histórico de localização.
Agora, a empresa diz que desligar a opção de monitoramento “não afeta outros serviços de localização” em celulares e que alguns dados de localização podem ser armazenados por meio de outros serviços, como busca e mapas.