A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) aperfeiçoou seu Projeto Ctrl+X, plataforma que reúne as ações judiciais do país que pedem a remoção de conteúdo online, tornando-o ainda mais eficiente nesta eleição de 2018. Será, por exemplo, possível comparar durante o período eleitoral quais são os candidatos e partidos que obtêm maior sucesso em tentar suprimir conteúdo da internet e em tentar censurar publicações.
Há dois novos campos na base de dados do Ctrl+X. Agora, informa a Abraji, é possível consultar quem é o autor da ação — político, empresário, empresa, entidade religiosa, membros do judiciário e outros autores jornalisticamente relevantes — e se a remoção de conteúdo foi deferida em algum momento do processo. Até a última segunda-feira (20), o projeto registrava que os juízes já haviam determinado 37 vezes que algum conteúdo citando um político fosse retirado do ar em 2018.
“Dá para encontrar os políticos que mais tentam retirar informações do ar e o que eles tentam esconder. É um manancial de pautas sobre liberdade expressão”, afirma Tiago Mali, coordenador do projeto. “Nós fazemos busca ativa nos tribunais brasileiros e usamos robôs para detectar ações judiciais tentando retirar algum tipo de conteúdo da internet. Especialmente neste período eleitoral, políticos tentam ocultar críticas e acabam prejudicando o eleitor, que acaba ficando com menos informação para tomar a sua decisão”, completa;
A plataforma foi lançada em 2014 pela Abraji para mapear ações judiciais para remover notícias e posts da internet. A ideia, diz a entidade, é jogar luz sobre quem tenta se valer do uso sistemático da justiça para cercear a liberdade de expressão no Brasil. O projeto é financiado pelo Google News Initiative.
Também até ontem, o projeto contava com 73 pedidos de remoção de conteúdo feitos por políticos, partidos, coligações ou outros atores relacionados às eleições, como o Ministério Público Eleitoral (MPE). Os juízes determinaram a retirada do conteúdo do ar em 93% das ações para as quais já há decisão. Em 2014 esse dado foi de 63%.
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