Cada vez mais utilizada em publicações digitais, a tecnologia blockchain pode ser usada com bastante eficácia para que jornalistas e empresas de comunicação consigam evitar a censura, principalmente dos governos autoritários, e garantir o relato de denúncias sobre corrupção e crime organizado, por exemplo. No entanto, relata o site especializado em comunicação Journalism, do Reino Unido, a forma como o sistema funciona, que permite a produção sem jornalistas, entre editores e verificadores de fato, também favorece conteúdos maliciosos, desinformados ou com notícias falsas, uma vez que depois de postados não podem ser alterados.

A plataforma Publiq, conta o Journalism, é uma das iniciativas que aposta no uso da tecnologia blockchain para criar um ambiente descentralizado de publicação de conteúdos. O objetivo do site é dar aos autores a liberdade de publicar seu conteúdo sem qualquer intervenção externa. Como bônus, a tecnologia blockchain ajuda os autores a preservar os direitos autorais e monetizar seu trabalho.

Na plataforma, ninguém pode modificar o conteúdo em qualquer estágio de publicação e compartilhamento. Ou seja, reforça Christian de Vartavan, conselheiro e embaixador global da Publiq, é impossível fazer alterações – por engano ou de propósito – no conteúdo, uma vez publicado. Outra característica importante da tecnologia blockchain, lembra o Journalism, é que o conteúdo não é armazenado em um site centralizado, onde fica vulnerável a ataques cibernéticos, mas em acumuladores descentralizados, o que impossibilita qualquer modificação.

A Publiq defende que a tecnologia tem o potencial de trazer mais transparência ao processo de publicação, uma vez que os dados sobre todos os participantes são armazenados no blockchain. Christian de Vartavan afirma esperar que isso impeça os criadores de conteúdo de postarem notícias falsas, já que todas as informações sobre qualquer coisa que alguém publique serão armazenadas no blockchain. O representante da Publiq afirma ainda que eventuais fake news publicada na plataforma venha a ser eliminadas pelos usuários, que podem escolher os canais de conteúdo que seguem, além de saberem quem postou o conteúdo, armazenado no blockchain.

No entanto, analisa a jornalista Marcela Kunova, do Journalism, ainda não está claro que incentivo há para o leitor fazer sua lição de casa e verificar o conteúdo, além de querer saber a verdade. Diversos estudos mostraram que algumas pessoas tendem a acreditar em notícias falsas mais do que em outras, e mais da metade dos usuários de mídias sociais ficam felizes em compartilhar o conteúdo que nem sequer leram.

“Embora a perspectiva de uma plataforma de publicação livre de censura que dê aos autores a possibilidade de monetizar diretamente seu conteúdo seja atraente, ela ainda pode falhar em seu componente principal: o fator humano”, lembra a jornalista. “Em última análise, são os leitores humanos, não os computadores, que decidem em que acreditar”.

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