O ESTADO DE S.PAULO – 31/08/2018
A Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA) recebeu, ontem, em São Paulo, o prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa 2018, entregue pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), que também homenageou os jornalistas Alberto Dines (1932-2018) e Otavio Frias Filho (1957-2018).
A associação mundial reúne mais de 18 mil publicações em cerca de 120 países. A entidade internacional foi escolhida por completar 70 anos na defesa e promoção da liberdade de imprensa em todo o mundo.
O presidente da WAN-IFRA, Michael Golden, recebeu o prêmio. “A imprensa está sob ataque”, afirmou Golden em seu discurso, lembrando o cenário americano, marcado pelo embate entre a mídia tradicional e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele ressaltou que, apesar das desconfianças levantadas e disseminadas a respeito da imprensa por políticos, os cidadãos devem sempre ser informados.
O prêmio foi entregue pelo diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto. “É fundamental para os cidadãos e as sociedades que o jornalismo prossiga na sua missão. O jornalismo independente e sem restrições é o melhor que temos para entender a realidade que nos cerca e para formar nossa visão de mundo”, disse Mesquita Neto, que também é vice-presidente da ANJ.
Memória. No evento, a ANJ homenageou os jornalistas Otavio Frias Filho e Alberto Dines, falecidos recentemente. Cristina Frias, atual diretora de redação do jornal Folha de S. Paulo, destacou as qualidades do irmão, que ouvia e compartilhava decisões e consenso. “É um desafio dar continuidade ao seu trabalho, mas vamos defender o seu legado com base no que nos ensinou, como o rigor na apuração, pluralismo e apartidarismo.”
Por sua vez, a jornalista Norma Khouri, companheira de Alberto Dines, lembrou a luta dele contra o cerceamento da liberdade de expressão pela ditadura militar, produzindo capas históricas no Jornal do Brasil.
Para o presidente Marcelo Rech, reeleito para mais dois anos ao lado da diretoria atual, a confiança é um bem crescente e escasso em uma sociedade inundada por ondas de desinformação, mas é exatamente o produto emanado das rotativas e das telas de celular e computador associadas aos jornais. “No mundo da comunicação somos como a medicina séria e responsável que se contrapõe ao charlatanismo e as supostas curas milagrosas”, disse Rech, em relação ao papel da mídia.
Diretor de jornalismo do Estado, João Caminoto destacou, com um olhar positivo, como o jornalismo é entregue hoje ao público, seja por meio do papel, do celular, da rádio ou da TV. “Acho que nunca estivemos numa situação tão privilegiada para oferecer às nossas audiências as informações necessárias para tomarem suas decisões neste período crucial em nosso país”, afirmou.