O ESTADO DE S.PAULO – 06/09/2018

O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que o Congresso mude as leis de difamação no país em uma mensagem publicada no Twitter após a divulgação de trechos de do livro Fear: Trump in the White House (“Medo: Trump na Casa Branca”, em tradução livre), do jornalista investigativo Bob Woodward, que traz uma série de revelações constrangedoras sobre o governo.

“Não é uma vergonha que alguém escreva um artigo, ou um livro, invente histórias e forme uma imagem da pessoa que é o oposto do fato, e saia impune disso sem retaliação ou custo?”, tuitou Trump. “Não sei por que os políticos de Washington não mudam as leis de difamação.”

No livro, que será lançado no dia 11, Woodward retrata a Casa Branca de Trump como uma “casa de loucos” nas mãos de um presidente raivoso e desequilibrado, cujos assistentes tentam o tempo todo evitar que ele leve o país a uma guerra.

Em outras mensagens rebatendo as informações do livro, Trump negou que tenha chamado o secretário de Justiça dos EUA, Jeff Sessions, de “mentalmente retardado” e “um sulista idiota”. O presidente disse que “nunca usou esses termos sobre ninguém, incluindo Jeff”, acrescentando que “ser sulista é ótimo”.

Trump havia acusado Sessions de não assumir o controle do Departamento de Justiça. O presidente também reclamou diversas vezes sobre a decisão dele de se retirar do comando da investigação sobre a interferência russa na campanha de 2016.

Trump disse que Woodward escreveu o livro para provocar

“divisão” nos EUA, com o objetivo de afetar as eleições de novembro, que renovarão toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado.

O presidente condenou as citações e as histórias narradas pelo jornalista, qualificando-as de “fraudes”. “O livro de Woodward já foi refutado e desacreditado pelo general (secretário de Defesa) James Mattis e o general (secretário-geral da Casa Branca) John Kelly”, escreveu Trump no Twitter.

Na obra, atuais e ex-assessores chamaram Trump de “idiota” e “mentiroso”. Além disso, o jornalista descreve o perfil de um chefe de Estado inculto, raivoso e paranoico, que seus secretários e colaboradores se esforçam em controlar para evitar suas saídas de tom.

O jornal Washington Post, que obteve uma cópia da obra escrita por Woodward, que junto a Carl Bernstein revelou o escândalo Watergate, publicou alguns trechos que complicaram ainda mais a imagem do presidente.

De acordo com o livro, por exemplo, após uma reunião entre Trump e a sua equipe de Segurança Nacional sobre a presença militar na Península da Coreia, Mattis disse a assessores que o presidente se comportava como um “aluno de quinto ou sexto ano”.

Assassinato. Além disso, segundo Woodward, depois do ataque químico de abril de 2017 atribuído ao regime de Bashar Assad, Trump teria ligado para o general Mattis dizendo que queria assassinar o presidente sírio.

“Vamos matá-lo. Vamos. Vamos matar um monte deles”, disse Trump ao chefe do Pentágono. Depois de desligar, Mattis teria recorrido a um assessor e dito: “Não faremos nada a respeito, seremos muito mais comedidos”.

O livro também fala da frustração constante de Kelly, tradicionalmente o homem mais próximo ao presidente na Casa Branca. Ele teria dito a assessores a respeito de Trump: “É um idiota. É inútil tentar convencê-lo de qualquer coisa. Nem sei o que eu estou fazendo aqui. Este é o pior trabalho que já tive”.