FOLHA DE S.PAULO – 12/09/2018

Débora Sögur Hous

 
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lançou a plataforma Publique-se que reúne mais de 30 mil processos judiciais envolvendo 9.000 políticos brasileiros desde 2006.
Dos doze presidenciáveis, apenas dois não aparecem em qualquer processo no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ): João Amoêdo (Novo) e Vera Lúcia (PSTU).

Lula (PT), que deverá ser substituído por Fernando Haddad (PT) na corrida eleitoral, é o presidenciável mais citado em processos nas cortes superiores. São 4.525 páginas em 1.406 processos. Em segundo lugar está Ciro Gomes (PDT), que aparece citado em 216 páginas de processos na plataforma. Jair Bolsonaro vem a seguir, em 201 páginas.
Presidenciáveis citados em processos judiciais no STF e STJ

Em volume de páginas

    Lula (PT)

    4.525 páginas
    Ciro Gomes (PDT)

    216 páginas
    Jair Bolsonaro (PSL)

    201 páginas
    Geraldo Alckmin (PSDB)

    134 páginas
    Alvaro Dias (PODE)

    84 páginas
    Marina Silva (REDE)

    81 páginas
    João Goulart Filho (PPL)

    56 páginas
    Fernando Haddad (PT)

    47 páginas
    Cabo Daciolo (PATRI)

    24 páginas
    Henrique Meirelles (MDB)

    23 páginas
    Eymael (DC)

    6 páginas
    Guilherme Boulos (PSOL)

    2 páginas

A citação em processo judicial não significa que o político tenha cometido algum crime. Segundo a Abraji, “a transparência com relação a essas informações, no entanto, é passo importante para uma fiscalização mais ativa das instituições e dos agentes públicos”.

Num primeiro momento, o Publique-se reúne apenas as ações que correm no STF e no STJ, numa fase posterior, a meta da associação é somar casos notórios de outros tribunais.

“Houve um imenso esforço de captura e tratamento de dados para possibilitar a busca dentro desses documentos. O que você vai achar ali não são apenas processos que têm determinado político como réu ou investigado, mas todas as referências àquele político dentro de documentos em diferentes processos”, diz Tiago Mali, coordenador do projeto.

Idealizado pela Abraji, o projeto contou com parceria da Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ) na captura e tratamento dos dados e conta com o patrocínio do Instituto Betty e Jacob Lafer.