O ESTADO DE S.PAULO – 12/09/2018
Mariana Lima GIovanna Wolf Tadini INTERNACIONAIS / COM AGÊNCIAS
Para os jovens americanos, o Facebook “é coisa de velho”: segundo pesquisa feita pela organização governamental Common Sense Media, apenas 15% dos adolescentes dos EUA com idades entre 13 e 17 anos disseram usar a plataforma. É uma queda brusca – na pesquisa anterior realizada pela ONG, em 2012, 68% dos jovens estavam na plataforma criada por Mark Zuckerberg.
Para Edney Souza, professor da Escola de Propaganda e Marketing (ESPM), o movimento é natural. “A partir do momento que o Facebook se popularizou entre pais e parentes, os adolescentes não quiseram mais expor suas vidas nesta rede social”, diz.
A falta de interesse pelo Facebook, no entanto, não significa que os jovens estão menos conectados: se em 2012, 34% deles dizia utilizar as redes sociais várias vezes ao dia, em 2018 esse índice subiu para 70%. A migração acontece para redes sociais como Snapchat e Instagram, que oferecem recursos de voz, foto e vídeo, além de ferramentas de comunicação efêmeras, o que dá menor “peso” a cada ato online.
Na avaliação do professor da ESPM, os jovens estão apenas migrando para redes sociais mais interessantes para eles. “Não há indícios de que é exclusividade desta geração a preferência pelo uso de voz em vez de texto. A verdade é que hoje todas as gerações preferem se comunicar pela fala. A preferência por outras redes está relacionada às ferramentas destas plataformas.”
Crítica. A pesquisa também mostra que a relação entre jovens e tecnologia é complexa e muitos deles reconhecem os perigos da web. Segundo o estudo, 72% dos adolescentes acreditam que as empresas de tecnologia os manipulam para que passem mais tempo nos aplicativos. Quase metade dos entrevistados também diz que, às vezes, preferia voltar à época em que não existia rede social.
O uso de redes sociais influencia também diretamente no relacionamento dos jovens. Entre os entrevistados, 44% dizem que se sentem frustrados quando seus amigos usam o celular durante conversas presenciais. Já 55% dos adolescentes admitem que quase nunca deixam de usar o smartphone quando saem com amigos.
Nacional. Ainda que não haja números concretos, o especialista da ESPM afirma que aqui também há um movimento de êxodo do Facebook. No País, porém, a migração ocorre a passos mais lentos para plataformas como WhatsApp e Instagram.
“O Snapchat é quase inexistente hoje no País. Porém, como boa parte pessoas que usam internet pelo celular é de baixa renda, as histórias instantâneas do WhatsApp têm sido uma boa alternativa para elas, visto que a maioria das operadoras hoje não cobra transferência de dados por esse aplicativo”, diz.
Atualmente o Facebook possui 2,23 bilhões de usuários em todo o mundo, sendo 241 milhões deles nos EUA. Já o Brasil soma 127 milhões de usuários no Facebook.