As empresas de notícias travam uma batalha desigual com as companhias de tecnologia em busca de receitas no meio digital, uma arrecadação decisiva para o financiamento do jornalismo qualificado e investigativo. Ao mesmo tempo, os valores a serem levantados são cada vez mais altos, pois os custos de uma boa cobertura jornalística estão em curva ascendente.

Exemplo disso são os trabalhos feitos em zonas de conflito, relata a AFP e o site Clases de Periodismo. “É cada vez mais caro cobrir conflitos em países como Iraque, uma vez que se exige muitas pessoas para evitar riscos: fixers [profissionais que atuam na produção e detêm conhecimento local], guarda-costas, tradutores, motoristas etc”, diz Jean-François Leroy, diretor do festival anual de fotojornalismo “Visa pour l’image de Perpiñán”, da França.

 “Há alguns anos o The New York Times calculou que um dia de reportagem em Bagdá exigia investimento de US$ 10 mil”, lembra Leroy.  Além disso, diz o jornalista francês, o desenvolvimento acelerado das tecnologias exige renovação constante de equipamentos, principalmente para fotógrafos e cinegrafistas.

Gerard Ryle, diretor do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês), afirma que o mesmo ocorre no jornalismo investigativo, que sempre exigiu mais recursos das redações. Como outras organizações, o ICIJ nasceu para compartilhar esses gastos entre diferentes meios e, com isso, manter e ampliar o trabalho de investigação de repórteres de diferentes regiões do mundo.

O custo dessas reportagens, diz Ryle, é “muito difícil de calcular”. As grandes frentes investigativas são mais caras, por conta de sua dimensão, e somente são bem realizadas por meio da colaboração. “Os Papéis do Panamá custaram US$ 2 milhões ao ICIJ”, afirma, além das despesas dos 300 jornalistas associados que colaboraram no projeto.

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