A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou nesta terça-feira (18) o clima de insegurança e hostilidade contra jornalistas e meios de comunicação independentes na Nicarágua, Venezuela e Cuba. O presidente da entidade, Gustavo Mohme, disse que a situação dos profissionais de comunicação e a mídia desses três países, que enfrentam “graves situações de violência e instabilidade”, terá “especial atenção” da Assembleia Geral da SIP, de 19 a 22 de outubro, em Salta, na Argentina.
Apesar da forte e contínua repressão, os jornalistas da Nicarágua, Venezuela e Cuba seguem informando e procurando exercer o direito à liberdade de imprensa, destacou a SIP. Mas a violência não para. Na Nicarágua, entre as denúncias mais recentes está o ataque, no último domingo (16), aos jornalistas Uriel Velásquez e Nayira Valenzuela, do El Nuevo Diario. Os dois foram apedrejados e perseguidos por governistas encapuzados quando cobriam uma manifestação contra o governo de Daniel Ortega. O jornalismo da Nicarágua foi homenageado neste ano com o Grande Prêmio de Liberdade de Imprensa da SIP.
Na Venezuela, a entidade enfatiza que somente neste ano 26 diários deixaram de circular, sendo que 20 deles fecharam suas operações definitivamente. A crise da imprensa no país se agrava com a distribuição seletiva de papel por parte do governo de Nicolás Maduro. Há ainda uso abusivo processos judiciais e administrativos contra jornalistas e empresas, além de ataques a sites noticiosos. Jornalistas têm sido agredidos e ameaçados.
Em Cuba, desde que Miguel Díaz-Canel assumiu a presidência, em abril, cresceu o número de detenções arbitrárias e intimidações aos jornalistas. Em agosto, a Asociación Pro Libertad de Prensa (APLP) documentou 14 casos de repressão contra comunicadores e seus familiares.