O ESTADO DE S.PAULO – 04/09/2018

A Justiça de Mianmar condenou ontem a 7 anos de prisão dois jornalistas da agência Reuters acusados de “violar um segredo de Estado”. Ambos investigavam um massacre de integrantes da etnia rohingya executado pelo Exército. O julgamento abala ainda mais a imagem da líder birmanesa Aung San Suu Kyi, que governa o país e recebeu o Nobel da Paz de 1991. Ela tem sido criticada por acobertar o genocídio da minoria rohingya.

Os repórteres Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, foram condenados por violar a Lei de Segredos Oficiais. As autoridades acusaram os dois de terem obtido de modo ilegal os documentos relacionados às operações das forças de segurança no Estado de Rakhine.

Eles investigavam a execução de integrantes da minoria muçulmana rohingya. Mais de 700 mil rohingya tiveram de fugir de Mianmar em 2017, após uma ofensiva do Exército birmanês. A defesa dos repórteres afirma que os dois foram vítimas de uma emboscada.

Investigadores da ONU publicaram, na semana passada, um relatório no qual classificam de “genocídio” a perseguição aos rohingyas, acusam diretamente o Exército e criticam o silêncio de Aung San Suu Kyi.

Libertada da prisão domiciliar em 2010, Suu Kyi e seu partido venceram a eleição geral, em 2015, e formaram o primeiro governo civil de Mianmar em meio século. Ela é a governante de direito do país, mas não controla as Forças Armadas ou a polícia. Seu gabinete inclui três generais. Em um discurso no mês passado, ela classificou os militares como “muito doces”.