O GLOBO – 16/08/2018

O Facebook deletou ontem 72 grupos, 50 contas e cinco páginas mantidas por brasileiros na rede social após identificar evidências de que estavam envolvidos na venda de curtidas e seguidores. Segundo a empresa, as contas foram derrubadas após uma investigação da Digital Forensic Research Lab (DRFLab) mostrar que o mesmo grupo participou de uma falsa ampliação de páginas políticas na eleição presidencial no México, que ocorreu em julho.

A DRFLab é uma ONG que atua na identificação de “ameaças de abusos” e “campanhas de desinformação”. Durante uma investigação interna, o Facebook descobriu que um grupo identificado como PCSD usou uma rede onde os usuários podiam comprar e vender reações, seguidores e páginas. Segundo a empresa, o grupo violou repetidas vezes os padrões da comunidade. As cinco páginas deletadas têm referências ao PCSD.

“Nós não permitimos um comportamento inautêntico coordenado e estamos banindo o PCSD de nossa plataforma”, disse o Facebook em nota.

De acordo com a DFRLab, a rede teria potencial para repetir o que foi feito durante as eleições mexicanas no pleito deste ano no Brasil. A ONG e o Facebook afirmam, no entanto, que não há nenhuma evidência de ligações políticas nas páginas deletadas.

“Com a eleição no próprio Brasil, prevista para 7 de outubro, essa rede tem potencial para reproduzir suas operações no México muito mais perto de casa”, divulgou a DFRLab por meio de nota.

Sete contas e dois grupos no Facebook ligados ao PCSD foram recriados horas depois de a empresa deletar os grupos, contas e páginas considerados irregulares. As novas contas já foram identificadas e derrubadas.

Em julho, o Facebook já havia retirado do ar uma página e internautas usados pelo grupo Movimento Brasil Livre (MBL) para disseminar conteúdo que incluía notícias falsas. Segundo a empresa, 196 páginas e 87 contas foram removidas.