O GLOBO – 22/09/2018

BRUNO ROSA

O Twitter anunciou ontem que descobriu uma falha (bug) em sua plataforma que poderia ter permitido a desenvolvedores externos acesso a dados privados de parte dos clientes.

Segundo a empresa, o defeito teria afetado menos de 1% de seus usuários, o que equivale a cerca de 3,3 milhões de contas. No mês passado, a rede social anunciou que tinha 335 milhões de pessoas cadastradas em todo o mundo. O problema ocorreu entre maio de 2017 e setembro de 2018. Segundo o Twitter, em comunicado, o bug estava presente em uma ferramenta chamada AAAPI, usada por empresas para melhorar a interação com os usuários. A rede social explicou que, se o usuário interagiu com alguma companhia que estivesse usando essa ferramenta, a falha teria permitido que informações sensíveis, como as Mensagens Diretas ou Tweets protegidos dos usuários, fossem “enviadas involuntariamente para outro desenvolvedor”.

RISCO DE SEGURANÇA

“O bug ocorreu a partir de maio de 2017, e, algum tempo depois de ser descoberto, em 10 de setembro de 2018, enviamos uma correção para impedir que os dados fossem involuntariamente enviados para o desenvolvedor incorreto”, destacou o comunicado da empresa. O Twitter disse que, para evitar abusos ou uso indevido de dados de quem recebeu informações involuntárias, ampliou o seu programa de controle de desenvolvedores nos últimos meses. Analistas, no entanto, se mostraram preocupados com a falha. Um especialista em tecnologia, que não quis se identificar, disse que vazaram centenas de milhares de informações.

— O desafio é saber como o Twitter poderá garantir que essas informações não serão usadas com más intenções —disse. Neste ano, a empresa perdeu um milhão de usuários ativos, influenciada pelas punições aplicadas a quem descumpre regras da rede social, como discurso de ódio e fake news. Como forma de evitar problemas, o Twitter — que registrou receita de US$ 711 milhões no segundo trimestre, em uma alta de 24% frente ao ano passado — informou que está entrando em contato com os clientes que podem ter tido dados vazados e está trabalhando ainda com os desenvolvedores para que eles possam “cumprir com suas obrigações para excluir as informações que não deveriam ter”. Recentemente, o Facebook também foi alvo de um escândalo envolvendo os dados de seus usuários. A rede, fundada por Mark Zuckeberg, informou que os dados de 87 milhões de usuários foram indevidamente compartilhados com a empresa de marketing político Cambridge Analytica, que usou os dados de clientes para influenciar as últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos e o plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit).