O ESTADO DE S.PAULO – 25/09/2018

Kevin Systrom e Mike Krieger, os dois cofundadores do Instagram, decidiram deixar a empresa nas próximas semanas – as informações são do jornal ‘The New York Times’, citando fontes familiarizadas com o assunto. Presidente executivo e diretor de tecnologia da rede social de fotos, respectivamente, Systrom e Krieger notificaram ontem as lideranças do Facebook e do Instagram sobre a saída, disseram as fontes.

Segundo o jornal norte-americano, Systrom e Krieger não deram uma explicação sobre a decisão, mas disseram que planejavam ter um tempo livre após deixar o Instagram, que criaram juntos em 2010 e venderam ao Facebook por US$ 1 bilhão em 2012, quando a empresa tinha ainda 30 milhões de usuários. Em junho, o Instagram chegou à marca de 1 bilhão de usuários.

Análises recentes de mercado, por outro lado, dão conta de que, caso fosse uma empresa autônoma, o Instagram estaria avaliado em cerca de US$ 100 bilhões. Além disso, segundo previsão da Bloomberg Intelligence, o aplicativo pode faturar, sozinho, cerca de US$ 10 bilhões com publicidade em 2018. Segundo a consultoria eMarketer, o Instagram pode responder por até 16% da receita do Facebook em 2018 – no ano passado, essa fatia foi de 10,6%. Procurado pelo NYT, o Facebook não respondeu os pedidos de comentários da publicação.

A saída de Systrom e Krieger acentua a crise que vive o Facebook nos últimos dois anos. De 2016 para cá, a empresa de Mark Zuckerberg tem sido alvo de críticas por auxiliar a disseminação de notícias falsas, ser frágil à interferência estrangeira, bem como por cuidar mal da privacidade de seus usuários, como demonstrado no caso Cambridge Analytica, no qual dados de 87 milhões de pessoas foram utilizados indevidamente pela consultoria política Cambridge Analytica, que atuou na campanha de Donald Trump, a partir de um aplicativo desenvolvido pelo pesquisador Aleksandr Kogan e publicado na rede social.

A saída também é uma surpresa por conta do crescimento recente do Instagram. A empresa é vista por analistas como “a joia da coroa”do Facebook, por ter conseguido passar ilesa em meio à maré de críticas que sofreu a companhia de Zuckerberg nos últimos anos.

Pressão. Systrom e o brasileiro Krieger não são os primeiros fundadores de empresas compradas pelo Facebook a deixar a companhia nos últimos tempos: em abril, no auge do escândalo da Cambridge Analytica, o cofundador e presidente executivo do WhatsApp, Jan Koum, também decidiu deixar a empresa. Segundo fontes próximas a ele, Koum resolveu sair após sofrer pressão crescente dentro da companhia para reduzir o nível de proteção de dados de seus usuários e monetizar o aplicativo de mensagens, hoje utilizado por 1,3 bilhão de pessoas em todo o mundo. /