O governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, segue censurando a imprensa e, de forma sofisticada, limitando a atuação jornalística no meio digital. Durante as duas primeiras semanas de agosto, os sites independentes de notícias Armando.info e El Pitazo foram intermitentemente bloqueados por provedores de internet estatais e privados, segundo o Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) da Venezuela, relatou o Centro Knight.

O IPYS Venezuela conduziu uma série de testes em Caracas e outras cidades do país usando a metodologia do Observatório Aberto de Interferência de Rede (OONI, na sigla em inglês) e colaboração de cidadãos. O Armando.info, um dos principais sites de jornalismo investigativo da Venezuela, havia noticiado no início de agosto que seu site ocasionalmente apresentava problemas de acesso à internet, em diferentes horários do dia.

Joseph Poliszuk, do Armando.info, explicou ao Centro Knight que o bloqueio percebido foi difícil de ser quantificado, porque mudava de acordo com áreas da cidade e horários. “Por vezes você consegue ver uma página e outros (usuários) não, ou, ao mesmo tempo, você poder ver em uma área (da cidade), mas não em outras”, acrescentou.

O jornalista descreveu este novo tipo de bloqueio como um mecanismo sofisticado de censura, no qual participam tanto a Companhia Anônima Nacional de Telefone da Venezuela (Cantv), empresa estatal que oferece grande parte do serviço de internet no país, e a operadora privada de celulares Movistar.

Em seu estudo, o IPYS Venezuela determinou que ao menos metade do bloqueio irregular ao Armando.info era via HTTP. Este tipo de censura na internet é, de acordo com a organização pela liberdade de imprensa, uma maneira de silenciar conteúdo, que fica registrada como falha de conexão ou “timeout error” nos servidores onde o site é hospedado.

O El Pitazo, que adquiriu um domínio hospedado na Malásia depois de sofrer o terceiro bloqueio ao seu site em abril de 2018, também tem sido afetado por períodos offline desde o início de agosto. Estes períodos duraram várias horas, aconteceram em diferentes horários do dia e em diversos estados do país, de acordo com o relatório do IPYS Venezuela.

“Desde o bloqueio em 1º de agosto até agora, nós temos visto que as visitas de páginas caíram em 50%”, disse César Batiz, diretor do El Pitazo, ao Centro Knight. Ele acrescentou que desde então tem tido dificuldade ao subir conteúdo no site e na atualização de páginas.

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