O GLOBO – 18/08/2018

Centenas de funcionários do Google assinaram uma carta de protesto contra o desenvolvimento de uma versão de sua ferramenta de busca pré-adaptada às exigências da censura na China, informou o jornal “The New York Times”. Quase 1.400 signatários pedem mais transparência para compreender as implicações éticas do projeto, afirma a carta que circula no sistema de comunicação interna, informaram ao jornal três fontes que tiveram acesso ao texto. Segundo a carta, os funcionários indicam que a aparente disposição do Google em acatar as regras de censura chinesa “levantam questões morais e éticas urgentes”.

“Atualmente não temos informações suficientes para tomar decisões claras sobre o aspecto ético relativo a nosso trabalho, projetos e emprego”, afirma um trecho da carta citada pelo “NYT”. Diante da censura e dos ciberataques, a empresa, com se dena Califórnia, retirou sua ferramenta de busca da China em 2010. Vários de seus serviços continuam bloqueados no país asiático, a segunda maior economia mundial. Agora, o Google está testando uma ferramenta de busca em conformidade com as exigências das autoridades chinesas, o que provocou críticas de ativistas dos direitos humanos e dos funcionários da empresa, noticiou no início de agosto o site “The Intercept”, informação confirmada à AFP por um funcionário do Google. O projeto é chamado “Dragonfly”. Numa reunião na quintafeira com os funcionários, o CEO do Google, Sundar Pichai, reiterou seu compromisso a favor da transparência e disseque o grupo“explora várias opções ”, masque“não estavaapont od elançar uma ferramenta de busca na China ”, informou o “Financial Times” com base em áudios obtidos.

PAÍS EXERCE CONTROLE TOTAL

Ofato de que o projeto permitiriaa Pequim continuar suprimindo informações preocupa os funcionários. O país é um dos que exercem maior grau de censura cibernética no mundo. Enquanto vários canais de TV internacionais são proibidos, temas-chave banidos da internet incluem “censura”, Praça da Paz Celestial (principal pal codos massacres de 1989) e até o Ursinho Pooh (ao qual dissidentes comparam, jocosamente, o presidente Xi Jinping). “Precisamos urgentemente demais transparência (…) Devemos sabe roque estamos desenvolvendo ”, insiste acarta. O Google é habitualmente franco sobre demandas de funcionários, afirmou o “Times”. As críticas internas pelo caso chinês vêm após protestos sobre o envolvimento da empresa em um projeto secreto de inteligência artificial (AI) junto ao Pentágono. A empresa anunciou que não renovaria o contrato, lançando uma carta com princípios éticos no uso da AI que sugere que ela teria percebido potenciais violações de leis de direitos humanos no trabalho com o Departamento de Defesa.