O GLOBO – 13/08/2018

Jornalista, se dedicou ao combate à corrupção e ao acesso aos dados públicos, tendo papel decisivo na criação da Lei de Acesso à Informação

Claudio Abramo era bacharel em Matemática pela USP e mestre em Filosofia da Ciência pela Unicamp. No entanto, foi ao jornalismo eà luta pela transparência pública que dedicou sua vida. Filho do jornalista C la udi o Abramo, ex diretor dos jornais“O Estado de S.Paulo” e “Folha de S.Paulo”, e de Hilde Weber, primeira mulher chargista no Brasil.

Abramo era vice-presidente do Conselho Deliberativo da Transparência Brasil. Ele foi fundador e diretor-executivo da entidade por quase 15 anos (2001-2015). Pioneiro no trabalho de dados abertos e transparência, teve papel importante na construção do que anos depois veio a sera Lei de Acesso à Informação. Também envolveu-se em projetos de bancos de dados de informações públicas como o Às Claras, Excelências e Meretíssimos.

Quando deixou a entidade, a Transparência Brasil disse que o “nome de Claudio Abramo se confundia coma sua história ”.

Ele também foi editor de economia da “Folha de S.Paulo” e editor-executivo da “Gazeta Mercantil”.

Seu trabalho mais recente foi a criação da ONG Dados.org, que também trabalhava com transparência e dados do setor público.

Claudio Abramo morreu na noite de ontem, em São Paulo, aos 72 anos. Ele sofria de câncer e estava internado no Hospital Samaritano. Deixa quatro filhos, seis netos, a mulher e uma enteada.

— Perdemos um batalhador pelas melhores causas e um amigo do bom jornalismo — disse Daniel Bramatti, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).