O ESTADO DE S.PAULO – 31/08/2018

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela afirmou ontem que os ajustes econômicos promovidos pelo presidente Nicolás Maduro “ameaçam aniquilar os veículos de comunicação” e disse que ao menos dez empresas foram afetadas pelas medidas.

“Ao menos dez empresas de comunicação anunciaram seu fechamento, mudança de status ou demissão de pessoal. Outros insistem em forçar seus trabalhadores a receber com a carteira da pátria”, disse o sindicato no Twitter. Ele iniciou uma campanha online com a hashtag #NoHayMediosSoberanos (Não há mídias soberanas) para documentar os efeitos da reforma econômica nas empresas de comunicação.

Neste sentido, ele disse que, em razão do aumento do salário mínimo em até 35 vezes, que entrará em vigor em setembro, a direção do diário El Universal – um dos mais tradicionais do país – “anunciou que não poderá pagar os novos salários”.

“Em reunião em 22 de agosto, o jornal pediu (a seus funcionários) que usem a carteira da pátria para que seus salários sejam subsidiados (pelo governo) por 90 dias”, disse o sindicato, se referindo à promessa feita por Maduro de que o governo completaria o pagamento das empresas por três meses.

O sindicato também informou que o Diário de los Andes, que deixou de circular em 17 de agosto por falta de papel, “estuda as medidas econômicas para determinar se conseguirá manter ou não sua operação apenas na internet”.