O jornalista paulistano Cláudio Weber Abramo, uma das principais referências do jornalismo de dados e de investigação sobre corrupção, faleceu na noite do último domingo (12), aos 72 anos, em São Paulo. O jornalista cofundou em 2000 e comandou por quase 15 anos a ONG Transparência Brasil. Um dos projetos da organização, o Excelências, banco de dados sobre o histórico da vida pública de parlamentares, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2006. A atuação de Abramo também foi fundamental para a aprovação da Lei de Acesso à Informação (LAI).
O profissional foi pioneiro no jornalismo de dados com o projeto Às Claras, plataforma que organizava e disponibilizava gastos das eleições, informou a Folha de S.Paulo. No caso da LAI, sua participação foi decisiva, a partir da pressão feita pela Transparência Brasil e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), para que o projeto fosse sancionado.
Formado em matemática pela USP, mestre em lógica e filosofia da ciência pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), relata a Folha de S.Paulo, Abramo tinha espírito crítico e questionador, instigava jornalistas a perseguirem a informação sem se conformarem com as burocracias impostas pelo poder público.
Abramo foi editor de economia da Folha de S. Paulo (1987) e secretário-executivo de redação da Gazeta Mercantil (1987-88). Contribuiu com outras publicações como o jornal Valor Econômico. Em 2017, cofundou a Dados.Org, organização dedicada à coleta, organização e disseminação de informações provenientes do poder público.
Abramo era filho de Cláudio Abramo, um dos mais importantes jornalistas de sua geração, que dirigiu a Folha e o Estado de S.Paulo. Sua mãe, Hilde Weber, foi a primeira chargista mulher da imprensa brasileira, cuja obra o filho vinha trabalhando para organizar em um acervo com acesso do público. Mesmo tratando um câncer no intestino, Abramo se mantinha em atividade.
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