MEIO&MENSAGEM – 03/09/2018

Enquanto a maior parte dos membros da indústria da comunicação avaliou de forma positiva a escolha de Mark Read como novo CEO do WPP, Martin Sorrell (justamente o ex ocupante do posto máximo da holding de comunicação) não pareceu tão efusivo em relação à nomeação de seu sucessor.

Nesta segunda-feira, 3, a maior holding de comunicação do mundo oficializou a escolha de Read como CEO e esclareceu que Andrew Scott – executivo que, desde abril, dividia com Read o posto de co-CEO do WPP – segue sozinho como chief operating officer (COO).

Questionado por e-mail pela reportagem do Advertising Age, Sorrell disse que o WPP deveria ter nomeado Read e Scott, juntos, como os novos CEOs. “Mark and Andrew vão bem juntos. Não pode ser um só. Eles se complementam e são os melhores candidatos internamente. Ironicamente, estamos agora, cinco meses depois, no mesmo patamar em que estávamos no dia 3 de abril, quando concordamos com o mesmo plano de sucessão antes da publicação do Wall Street Journal. É uma pena dos desafios que o WPP enfrenta, sobretudo em relação à concorrência aberta por nosso maior cliente”, disse Sorrell.

A ocasião anterior a que Sorrell se refere diz respeito ao dia 3 de abril, quando a holding confirmou que havia aberto uma investigação sobre o executivo por uma alegação de suposta má conduta. A noticia da investigação foi dada pelo Wall Street Journal e Sorrell criticou publicamente os supostos “vazamentos” das informações à imprensa e pediu à holding para investiga-los. Em junho, o Wall Street Journal também noticiou, em primeira mão, que a companhia investigava que Sorrell teria feito uso do dinheiro da holding para pagar prostitutas. O executivo negou veementemente a acusação.

A revisão do “maior cliente” que ele cita no e-mail diz respeito a Ford, que trabalha com o WPP desde 1943 e que promove uma revisão de suas parcerias de publicidade. A montadora chegou a contrata a Wieden+Kennedy para um trabalho pontual, mas ainda não deu um parecer final sobre o destino de sua conta.