Os riscos dos ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à liberdade de imprensa, denunciados nesta quinta-feira (16) em editoriais de mais de 350 jornais norte-americanos, ficaram evidentes logo após à reação negativa do mandatário à iniciativa. Trump, segundo o jornal O Globo, rebateu via Twitter a manifestação dos jornais com informações falsas e acusações aos veículos. Horas depois das postagens, o The Boston Globe, que liderou o movimento, comunicou ter recebido uma ameaça telefônica de bomba em sua sede. Autoridades afirmaram não acreditar que a mensagem fosse real, mas reforçaram a segurança no entorno do prédio.
“A MÍDIA FAKE NEWS É O PARTIDO DA OPOSIÇÃO”, disparou Trump, no Twitter, no dia do movimento coordenado de editoriais e liderado pelo The Boston Globe. Em outro tuíte, o presidente afirmou que “muito do que a imprensa diz é fake news, forçando agenda política ou tentando abertamente ferir o povo”. O presidente, ainda de acordo com o jornal O Globo, focou no diário de Massachusetts: “O ‘Boston Globe’, que foi vendido para o Fracassado ‘NewYorkTimes’ por(…) 2,1 BILHÕES DE DÓLARES, foi vendido pelo ‘Times’ por 1 DÓLAR. Agora, está em conluio com outros jornais sobre a imprensa livre. PROVEM!”
Enquanto a imprensa não soube detalhar o que Trump exigiu que fosse provado, os editoriais coordenados criticaram sua equiparação dos meios de comunicação a veiculadores de notícias falsas. Os dados que Trump usou eram falsos: o “Boston Globe” foi vendido ao “New York Times” por US$ 1,1 bilhão em 1993. O grupo editorial do jornal o revendeu por US$ 70 milhões a John Henry em 2013.
Também ontem, o Senado adotou por unanimidade uma resolução declarando que “a imprensa não é inimiga do povo”, desaprovando o presidente: “A imprensa livre exerce a função vital e indispensável de informar, revelar a verdade, agir como verificação do poder inerente do governo, promover discussões e debates (…) e avançar normas democráticas e liberdades básicas.”
Os editoriais, informou o jornal O Estado de S.Paulo, seguem uma linha crítica ao presidente Trump, parecida à feita por diversas figuras públicas sobre o tratamento que ele dá à questão da liberdade de imprensa. Em janeiro, o senador republicano Jeff Flake, do Arizona, disse que o magnata havia adotado a linguagem opressiva do ex-ditador soviético Josef Stalin.
O The New York Times publicou em seu editorial um pedido de ajuda aos americanos para defender a liberdade de imprensa contra os ataques de Trump. “A imprensa livre precisa de você”, diz o título.
O texto começa com uma referência histórica. Em 1787, quando a Constituição dos EUA foi adotada, Thomas Jefferson escreveu a um amigo: “Se tivesse de decidir se devemos ter um governo sem jornais ou jornais sem governo, não hesitaria em preferir o segundo”. O editorial cita outra passagem da época de Jefferson. Vinte anos após suportar a supervisão da imprensa de dentro da Casa Branca, o ex-presidente estava menos seguro do valor do jornalismo. “Agora não se pode acreditar em nada do que se vê nos jornais”, escreveu um dos “pais fundadores” do país.
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