O GLOBO – 14/092020
Nelson Gobbi e Maria Fortuna
No dia 18 de setembro de 1950, quando a imagem da atriz Maria Dorce surgiu para 200 televisores espalhados por São Paulo, começava a ser escrita uma história que se confundiria com a própria história do país. Realizada pela TV Tupi (a atriz, de 6 anos, estava com um figurino de índio, o símbolo da emissora), a primeira transmissão televisiva nacional, há 70 anos, dava ao país — que se urbanizava, se industrializava e redefinia seu lugar no mundo — o seu principal espelho.
— Tudo era muito artesanal. A gente ensaiava e combinava tudo antes. Chegava ao fim da tarde e era “vamos ao ar, salve-se quem puder” — diverte-se a atriz Eva Wilma, de 86 anos, lembrando-se dos textos que eram escondidos no cenário. — Em São Paulo, se chamava cola; no Rio, dália. Usávamos nossa marcação de cena para escolher peças do cenário para colar a dália.
A imagem em preto e branco da “TV Taba”, o primeiro programa transmitido na noite da estreia, tendo no elenco Lima Duarte, Ivon Cury e Hebe Camargo, se contrapõe à diversidade de opções atuais da TV aberta, a cabo e mais recentemente do streaming, que projeta um novo futuro para o meio.
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Acompanhada também em computadores e celulares, a TV se mantém como elemento integrador, como se viu nos últimos meses, em que foi a principal fonte de informação e entretenimento durante a quarentena imposta pela Covid-19 — e os desafios da pandemia a fizeram se reinventar mais uma vez.
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Mesmo diante de todas as possibilidades trazidas pelo streaming, em que o espectador ganha poder de criar sua própria grade, a TV linear (assistida no momento em que a atração é transmitida) se mantém como um hábito entre a maioria do público.
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— É preciso entender que streaming é televisão, e não uma coisa diferente — observa Erick Brêtas, diretor de Produtos e Serviços Digitais da Globo.
Na opinião do ator Ary Fontoura, de 87 anos, nem a pandemia de Covid-19 e as limitações impostas por ora para as produções ameaçarão sua presença.
—Tem gente dentro de casa fazendo programa com celular. Essas limitações de trabalhar com protocolos de gravação serão temporárias. Vamos sofrer um pouquinho, ter de nos reinventar, mas tudo voltará ao normal. Temos que seguir em frente.