Moderadores de conteúdo do YouTube, a rede social de vídeos do Google, sofrem de problemas mentais após passarem horas expostos a vídeos de conteúdo extremo, como abuso sexual infantil e violência. O problema é o mesmo que afeta os trabalhadores responsáveis pela moderação no Facebook, conforme revelado pelo The Verge. Agora, o site de notícias mostra que funcionários da Accenture, terceirizada responsável pela maior equipe de moderação do YouTube nos Estados Unidos, relataram ansiedade, depressão, pesadelos e outros problemas de saúde mental.
A reportagem, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, mostra ainda que o Google oferece condições de trabalho inferiores para os terceirizados, além de não cumprir uma promessa de redução de exposição ao conteúdo. De acordo com o The Verge, alguns funcionários já apresentavam sintomas relacionados a estresse pós-traumático com apenas seis meses de trabalho.
Em suas rotinas, os moderadores são obrigados a assistir durante cinco horas contínuas de imagens, ou 120 vídeos, que potencialmente violam as políticas de uso da empresa, como registros de decapitações, pessoas baleadas e estupro de crianças. No ano passado, Susan Wojcicki, presidente executiva do YouTube, prometeu reduzir o limite de exposição a essas imagens para quatros horas, algo que nunca teria acontecido, segundo o The Verge.
Funcionários também teriam dito, relata o jornal O Estado de S.Paulo, que não podiam fazer pausas durante o trabalho e que tiveram pedidos de férias negados por conta da demanda de trabalho. A Accenture negou a informação, dizendo que desenvolve programas de bem estar entre os funcionários.
A reportagem também mostrou que os moderadores terceirizados ganham bem menos que os contratados diretamente pelo Google. Um funcionário da Acccenture disse que ganhava US$ 18,50 por hora, ou US$ 37 mil por ano. Uma moderadora do Google em posição similar podia ter rendimentos de até US$ 90 mil por ano, contando bônus recebidos em forma de ações da companhia. Ao contrário dos moderadores contratados diretamente, os terceirizados não têm licença médica remunerada e seus planos de saúde também não são iguais.
Ao longo do ano, o The Verge mostrou as condições de trabalho de moderadores terceirizados do Facebook, o que inclui também a denúncia de trabalhadores com desordem de estresse pós traumático após a exposição de imagens perturbadoras. A empresa Cognizant, que prestava serviço de moderação de conteúdo, encerrou o seu contrato com a rede social após as reportagens.
Leia mais em: