O GLOBO – 18/12/2019
ISABELA ALEIXO
A desembargadora Marília Castro Neves, que escreveu numa rede social que Marielle Franco era “engajada com bandidos”, foi ouvida ontem no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ela responde a um processo por calúnia, movido pela família da vereadora do PSOL, assassinada em março do ano passado. Em seu depoimento, a magistrada afirmou que o comentário surgiu num grupo de troca de mensagens criado por amigos do Judiciário que estavam preocupados com a “repercussão exagerada” do crime.
Marília fez a postagem dias após o assassinato, e já havia dito, em um comunicado, que que apenas reproduziu comentários que circulavam na internet. Ontem, ela alegou não ter tido a intenção de ofender Marielle porque sequer a conhecia:
— Só soube da existência dela quando a imprensa noticiou sua morte.
Além de escrever que Marielle era engajada com bandidos, a desembargadora afirmou, na postagem, que a vereadora foi eleita por uma facção criminosa. No STJ, diante de um juiz e da família da vítima, argumentou que essa seria uma das hipóteses investigadas pela polícia, já que Marielle teria ido a uma favela dominada por uma quadrilha rival à da comunidade onde realizava uma trabalho social.
Marília, no entanto, não disse qual seria a favela visitada por Marielle nem de onde recebeu tal informação. E, novamente, considerou “exagerada” a repercussão do assassinato da vereadora:
— Naquela época, estávamos todos preocupados com a repercussão exagerada que tinha havido coma morte dela. Tinha morrido uma professora tentando salva rumas crianças e ninguém repercutiu. Havia policiais femininas que tinham sido mortas também em serviço e ninguém repercutiu a morte dessas pessoas, então a comoção exagerada naquele momento era o objeto de discussão.
Ao tentar justificar por que acusou Marielle de ser engajada com bandidos, Marília disse que, para andar em comunidades, “é preciso autorização do dono do morro”. Ela, porém, reconheceu não ter prova de envolvimento da vereadora com criminosos.
— Quando eu disse que ela estava engajada com bandidos, o que quis dizer é que ela trabalhava nessas comunidades e, todo mundo sabe, para subi ruma comunidade, apessoa precisa de autorização do do nodo morro. Epo risso t ambémé que diziam que e latinha sido eleita por uma facção, não sei se é verdade — argumentou a desembargadora.
CRÍTICAS DA FAMÍLIA
O processo, agora, segue para as alegações finais. Na segunda-feira, a irmã de Marielle, Anielle Franco, prestou depoimento e se emocionou. A desembargadora lembrou que fez uma retratação pública sobre sua postagem e alegou que não procurou a família da vereadora para se desculpar porque não tinha contatos. Ontem, no entanto, esteve diante de parente senão o fez.
—Apostura dela foi bem ruim, não só reafirmou que Marielle foi eleita por uma facção como acrescentou outras histórias. Em nenhum momento se retratou, sequer nos cumprimentou.
PeloTwit ter, Aniel leco mentou o depoimento da desembargadora :“Lamentável aposturada cidadã debem, que hoje, mesmo com meus pais assistindo, insistiu nasfakenews sobre minha irmã. Quanto desrespeito e falta de empatia. Quanta falta de sensibilidade. Quanto preconceito em uma fala só. Desejo que nunca sinta o que meus pais sentiram”.