O ESTADO DE S.PAULO – 21/12/2019
Rodrigo Augusto Prando
O ano do presidente Jair Bolsonaro não terminará como ele gostaria. No Brasil, é conhecido o presidencialismo de coalizão, passamos pelo presidencialismo de cooptação e chegamos ao presidencialismo de confrontação. O estilo de Bolsonaro foi o de confrontar: adversários, reais ou imaginários, e até aliados. Em que pese a lenta e gradual recuperação da economia, o governo manteve um discurso beligerante e, por isso, tensionou os atores políticos, instituições e a sociedade.
Tirando Guedes, ninguém no núcleo do poder bolsonarista teve vida fácil e isso faz parte da forma de chefiar, e não de liderar, de Bolsonaro. Não faz muito, em tensa entrevista o presidente atacou a imprensa e com níveis de insinuações, ironias e palavras distantes da esperada liturgia do cargo. Isso desnuda o incômodo com o caso Flávio Bolsonaro.
Como pode o presidente modular o discurso de combate à corrupção com as complicações que rondam o “01”? Ora afirmou que não tinha problemas, para, na sequência, atacar MP do Rio, juiz do caso, governador Witzel e jornalistas. Sobrou até para Moro. As festas e o ano vindouro deverão ser tensas no clã Bolsonaro. Com escusas a Fernando Pessoa, a síntese do ano político foi: confrontar é preciso, governar não é preciso.
DOUTOR EM SOCIOLOGIA E PROFESSOR DO MACKENZIE