O GLOBO – 04/02/2020

ornalistas dos principais meios de comunicação britânicos, da BBC ao tabloide The Sun, abandonaram uma entrevista coletiva na sede do governo britânico ontem, após o diretor de Comunicação do premier Boris Johnson tentar limitar o encontro a um grupo de repórteres.


> O governo convidara jornalistas de cerca de 12 organizações, incluindo o Financial Times, o The Sun e o Daily Telegraph, para comparecer a um encontro em que seriam transmitidas “informações técnicas” sobre os planos comerciais de Boris depois do Brexit.

> Profissionais que habitualmente comparecem a esses encontros, mas não receberam o convite, também apareceram. Eles puderam entrar na sede do governo em Downing

Street,mas,emseguida, tiveram o acesso barrado à coletiva, após Lee Cain, um dos mais experientes assessores de Boris, ler uma lista de quem poderia participar do encontro.

> Após o anúncio, todos os jornalistas — incluindo Laura Kuenssberg, da BBC, e Robert Peston, da ITV, dois dos mais conhecidos jornalistas do Reino Unido — também deixaram a sala, em solidariedade aos colegas. Entre os veículos barrados estavam o Daily Mirror, o Independent e o PoliticsHome. Ao ser questionado, Lee Cain respondeu que “recebemos para informar quem quer que nós queiramos, quando quer que queiramos”.

> O sindicato nacional de jornalistas denunciou o incidente como “muito preocupante” e instou o governo a “pôr fim à paranoia e a trabalhar com todos os meios de comunicação, não só com seus favoritos”.