O GLOBO – 14/02/2020
O jornalista paraguaio naturalizado brasileiro Léo Veras foi assassinado na noite da última quarta-feira em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, cidade que faz fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Veras era dono do site Porã News, que produzia notícias sobre o tráfico de drogas na fronteira. É o primeiro assassinato de um jornalista brasileiro desde junho de 2018. Na última década, já são 25 profissionais de imprensa mortos, de acordo com o Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ).
Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, Veras foi executado com 12 tiros de pistola 9mm. Atingido na cabeça, o jornalista chegou a ser socorrido e levado a um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu.
No momento da ação dos criminosos, Veras jantava com a família no quintal de sua casa. Por volta das 21h, dois pistoleiros encapuzados chegaram em uma caminhonete branca, entraram pelo portão que estava aberto e invadiram o local. A polícia não confirma se o crime tem relação com o trabalho do jornalista sobre o tráfico.
Os investigadores farão perícia no celular e no computador da vítima. As câmeras da casa onde o jornalista morava não estavam funcionando. A polícia paraguaia deve pedir a colaboração das autoridades brasileiras para chegar aos autores da execução.
O Ministério Público do Paraguai já investiga o crime. O promotor paraguaio Marco Amarilla, responsável pelo caso, informou ao G1 que o jornalista vinha sofrendo ameaças e temia por sua vida. Veras vivia há anos com a possibilidade de ser assassinado. Em 2017, ao ser entrevistado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ele afirmou que esperava “não morrer com tantos tiros”.
REPÚDIO
Em nota, a Abraji lamentou a morte do jornalista e cobrou agilidade das autoridades no esclarecimento das circunstâncias do crime. “Todo assassinato de jornalista é uma tentativa de calar o mensageiro, comprometendo a liberdade de imprensa”, ressaltou a associação, acrescentando: “A Abraji se solidariza com a família, os colegas de profissão e os amigos do jornalista. E reitera a necessidade de autoridades acompanharem, com rigor, ameaças a jornalistas e comunicadores. É dever do Estado prover todos os meios possíveis para garantir a segurança dos profissionais de imprensa”.
Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) lamentaram a morte de Veras e cobraram das autoridades do Paraguai e do Brasil que esclareçam o caso, com apuração criteriosa e rápida. “Os assassinatos de comunicadores têm por objetivo intimidar o livre exercício do jornalismo e impedir o direito dos cidadãos de serem plenamente informados”, afirmam as entidades.
O Sindicato dos Jornalistas em Mato Grosso do Sul (Sindjor-MS) também divulgou nota lamentando a execução do jornalista e exige “severa investigação” do ocorrido.