FOLHA DE S.PAULO – 20/02/2020
O presidente dos EUA ofereceu perdoar Julian Assange se ele dissesse que a Rússia não se envolveu no escândalo da publicação de emails do partido democrata em 2016 pelo WikiLeaks, site fundado por ele. A informação foi dada pelo advogado de Assange a um tribunal de Londres nesta quarta (19).
O advogado, Edward Fitzgerald, fez referência a uma declaração do ex-congressista republicano Dana Rohrabacher —segundo ele, Rohrabacher visitou Assange em 2017, dizendo que tinha sido enviado por Donald Trump para lhe oferecer o perdão.
O indulto viria com a condição de que Assange colaborasse com os EUA, dizendo que os russos não tiveram conexões com o vazamento de emails que prejudicou a campanha presidencial de Hillary Clinton em 2016, na eleição que deu a vitória para Donald Trump.
A porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, negou a informação do advogado de Assange. “O presidente mal conhece Dana Rohrabacher, além do fato de ele ser um ex-congressista. Trump nunca falou com ele sobre esse assunto. É uma invenção completa e uma mentira total.”
Assange, 48, passou sete anos asilado na embaixada do Equador em Londres antes de ser preso em abril do ano passado. Ele é procurado pelos EUA, onde enfrenta 18 acusações, incluindo conspiração para invadir computadores do governo e violação de lei de espionagem. O australiano pode passar décadas atrás das grades se for condenado por tribunais americanos.
Quase uma década depois de seu site enfurecer Washington por vazar documentos americanos secretos, a corte de Woolwich Crown, em Londres, começará na segunda-feira (24) a primeira parte das audiências que vão decidir se Assange será ou não extraditado para os EUA.
A segunda metade do processo está agendada para maio.
Na audiência desta quarta-feira, Assange participou por videoconferência apenas para confirmar seu nome e data de nascimento. Ele parecia relaxado e passou grande parte da sessão lendo notas em seu colo. Usava dois pares de óculos: um sobre a cabeça e outro que colocava, tirava e girava em suas mãos.
Nascido na Austrália, Assange ganhou as manchetes mundiais no início de 2010, quando o WikiLeaks publicou um vídeo militar dos EUA mostrando um ataque de 2007 por helicópteros em Bagdá que matou uma dúzia de pessoas. Mais tarde, o WikiLeaks divulgou documentos militares e notícias diplomáticas.