O ESTADO DE S.PAULO – 05/03/2020
Julia Lindner
Após resultado fraco do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, com crescimento de apenas 1,1% no ano, o presidente Jair Bolsonaro escalou um humorista para responder perguntas da imprensa sobre o ritmo da atividade econômica ontem, na frente do Palácio da Alvorada. O primeiro PIB de Bolsonaro é pior do que o último do ex-presidente Michel Temer, 1,3%.
“PIB? O que é PIB? Pergunta para eles (jornalistas) o que é PIB”, disse Bolsonaro ao humorista Márvio Lúcio, conhecido como Carioca, da TV Record. Em seguida, um jornalista reforçou que a pergunta era dirigida para o presidente, e não para o humorista. “Paulo Guedes, Paulo Guedes”, reagiu Carioca. “Posto Ipiranga”, sugeriu Bolsonaro ao humorista, rindo.
Vestido como Bolsonaro, inclusive com uma réplica da faixa presidencial, Carioca usou a estrutura da Presidência para oferecer bananas aos jornalistas – nenhum aceitou. O humorista que popularizou o apelido “mito” também pediu para ser questionado pelos profissionais como se fosse o presidente, o que não ocorreu.
Depois, o próprio Bolsonaro apareceu e quis participar da encenação que foi combinada um pouco antes. Carioca participou de um café da manhã no Alvorada que reuniu o presidente, ministros e parlamentares do PSD. Na conversa com o humorista, Bolsonaro afirma ser “agredido” pela imprensa e pede que ele “fale em seu lugar” em frente à residência oficial. “É impressionante que eles (imprensa) ficam me agredindo. Todo dia eles estão lá fora. Estou há duas semanas sem falar com eles. Fala no meu lugar.
Vou te dar a palavra”, disse Bolsonaro.
O vídeo do café da manhã de Bolsonaro com o humorista foi divulgada pelo site Folha do Brasil, que publica notícias favoráveis ao governo.
O humorista chegou em um carro oficial da Presidência e contou com a ajuda do secretário especial de Comunicação, Fabio Wajngarten, para sair do veículo. Ele ficou posicionado no mesmo local que Bolsonaro usa normalmente para responder perguntas da imprensa. A área é restrita.
Antes da chegada de Carioca, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, responsável pela Secom, desceu de outro carro e foi a pé acompanhar todo o ato.