O ESTADO DE S. PAULO – 07/03/2020
Vera Rosa
A crítica do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao “entorno do governo” tem endereço certo: o “gabinete do ódio” instalado no Palácio do Planalto, com mensagens replicadas por redes sociais bolsonaristas. Trata-se de um “bunker ideológico”, sob a supervisão do vereador Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente Jair Bolsonaro, que adota um estilo beligerante nas mídias digitais. Seus alvos preferidos são o Congresso – com artilharia pesada direcionada para Maia –, os militares, a imprensa e o Judiciário.
Os ataques aumentaram com a convocação das manifestações do dia 15. Maia tem demonstrado preocupação com a escalada autoritária no País em conversa com vários interlocutores, de políticos a empresários, passando por magistrados. Um deles é o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. A portas fechadas, o deputado avalia que é importante uma reação mais forte de Toffoli diante da crise.
O desfecho da CPI das Fake News também pode se virar contra Bolsonaro. Com esse diagnóstico, o presidente decidiu lançar uma “vacina” nas transmissões que faz ao vivo pela internet. Em muitas dessas ocasiões, ele diz que não é fácil governar e joga a culpa no Congresso. Às vésperas dos atos do dia 15, seguidores de Bolsonaro compartilham trechos dessas “lives” com a imagem de Maia em um canto, ladeada pelos dizeres “Agradeçam a esse Filho da P…!”
Com cargo ameaçado, presidente do Twitter se defende
O Estado de S. Paulo7 Mar 2020/ AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Jack Dorsey, presidente executivo e cofundador do Twitter, tentou pela primeira vez uma defesa pública de seu trabalho e de sua permanência no cargo na quinta-feira, durante uma sessão de perguntas e respostas promovida pelo banco Morgan Stanley. Segundo a Bloomberg,a gestora de investimentos Eliott Management planeja substituir o executivo por considerar que sua liderança traz prejuízo ao valor das ações da empresa – a Eliott é liderada por Paul Singer, megadoador de recursos para campanhas do Partido Republicano dos EUA.
Sem ser questionado diretamente sobre a ofensiva da Eliott, Dorsey diz que vai rever os planos de morar na África, algo que havia anunciado em 2019. Culpou a epidemia de coronavírus, mas deixou no ar que existem outros fatores forçando a mudança de planos. “Eu preciso reavaliar meu plano de trabalhar da África por conta do covid-19 e de todo o resto que anda acontecendo”, falou.
Dorsey também é presidente executivo da empresa de pagamentos Square. A atenção dividida seria o motivo de Singer para pedir a troca – Dorsey é o único líder de duas empresas avaliadas acima de US$ 5 bilhões.
Esse não foi o único momento de defesa do executivo, que tentou explicar a suposta estagnação e lentidão da empresa para apresentar novidades. “Algumas pessoas falam sobre a lentidão de desenvolvimento do Twitter. A expectativa é ver mudanças na superfície, mas as mudanças de maior impacto estão debaixo da superfície”, falou, citando o uso de inteligência artificial para personalização do app aos usuários.
Criticado também por abandonar produtos ao longo da história, Dorsey se defendeu. “Há cinco anos, tivemos de recomeçar. Éramos uma companhia que estava tentando fazer muitas coisas”, falou. O executivo é criticado por ter desativado o Vine, plataforma de vídeos curtos que poderia ter ocupado o espaço do TikTok no mercado.
As críticas se refletem no valor das ações da empresa. Desde maio de 2015, as ações da empresa caíram 6,2%, enquanto as do Facebook subiram 121% – algo que desanima os investidores.