Entidades denunciaram nesta semana ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) a deterioração das liberdades de imprensa e de expressão no Brasil sob o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), segundo informou a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). As organizações destacaram em especial as violações constantes dirigidas a jornalista mulheres.
As entidades pediram ao Conselho de Direitos Humanos da ONU uma condenação pública dos ataques a jornalistas e à imprensa, além de um monitoramento mais próximo da liberdade de imprensa no Brasil. O pronunciamento foi lido nesta terça-feira (10), durante a 43ª sessão do conselho (UNHRC, na sigla em inglês), em Genebra, na Suíça.
A denúncia contou, ao todo, com o apoio de quase 80 organizações, entre elas a Abraji, Conectas Direitos Humanos, Instituto Vladimir Herzog, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Instituto Ethos e Artigo 19.
Segundo a Abraji, no ‘centro da denúncia”, estão os ataques sistemáticos contra jornalistas e veículos de imprensa. “O presidente Jair Bolsonaro vem tratando a imprensa e os jornalistas como seus inimigos. (…) Os ataques são feitos não apenas por meio de declarações, mas também por medidas concretas”, relatou à comissão o representante em Genebra da Conectas Direitos Humanos, Gustavo Huppes.
Entre os recentes episódios, as organizações destacaram as violações constantes dirigidas a mulheres jornalistas, como a repórter da Folha de S.Paulo Patricia Campos Mello, a colunista do jornal O Estado de S.Paulo Vera Magalhães, a apresentadora da GloboNews e colunista de O Globo Miriam Leitão e a colunista do UOL Constança Rezende – que foi alvo de ofensas e linchamento virtual em razão de uma notícia falsa à época em que era repórter de O Estado de S.Paulo.
“Ofensas machistas e misóginas, com a clara intenção de prejudicar a credibilidade e intimidar mulheres jornalistas, estão se tornando comuns e sendo feitas por autoridades governamentais, incluindo o próprio presidente da República”, diz um trecho da denúncia apresentada.
Gustavo Huppes também mencionou a exclusão de jornais de coberturas presidenciais, como o impedimento de a Folha de S. Paulo ter acesso ao jantar entre Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Bolsonaro, no último sábado (7).
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