O jornalismo profissional brasileiro sofreu, em 2019, 11 mil ataques diários nas redes sociais – 7 agressões por minuto –, segundo relatório anual sobre Violações à Liberdade de Expressão da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), divulgado nesta quarta-feira (11).
Essa foi a primeira vez que a Abert incluiu os ataques virtuais em seu relatório, por meio de estudo realizado pela empresa Bites, que faz monitoramento de redes sociais. A análise contabilizou que, em 2019, os 130 milhões de brasileiros com acesso à internet produziram 6,2 bilhões de posts no ao Twitter.
Desse universo, 39,2 milhões postagens tiveram conteúdos com as palavras “mídia”, “imprensa”, “jornalista” e “jornalismo”. A soma dos ataques, por sua vez, chegou a 4 milhões de postagens negativas à imprensa, que incluem palavras de baixo calão ou expressões que tentam desacreditar o trabalho da imprensa.
O estudo fez um recorte de postagens a partir de conceitos ideológicos. Foram 3,2 milhões de posts (9 mil ataques por dia) produzidos por perfis e sites mais conservadores contra a imprensa, enquanto 714 mil postagens (1,9 mil ataques diários) negativas estão associadas à esquerda, de acordo com a análise.
O presidente da entidade, Paulo Tonet Camargo, afirmou que a nova metodologia foi necessária porque os ataques virtuais tomaram uma dimensão elevada e preocupante. “Revelam uma incompreensão com o papel do jornalismo. Nunca o jornalismo profissional foi tão importante e tão relevante para a sociedade brasileira e mundial”, afirmou.
Segundo o relatório, o número de casos de violência contra jornalistas diminuiu 50,87% em 2019 na relação com o ano anterior, totalizando 56 casos envolvendo pelo menos 78 profissionais, dentre agressões físicas (24), ofensas (8), intimidações (6), ameaças (5), censuras (5), ataques/vandalismos (4), assédios sexuais (1), injúrias raciais (1), detenções (1) e roubos/furtos (1).
De acordo com Tonet Camargo, a mudança metodológica em relação ao relatório do ano passado, com a separação dos ataques virtuais em um novo capítulo do relatório, contribuiu para a redução nos percentuais das violações à liberdade de imprensa fora do mundo virtual.
Censura judicial
Tonet Camargo citou ainda como fato preocupante o aumento de 15% em decisões judiciais de censura ao jornalismo e apontou que essas decisões contrariam o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) contrário à censura prévia na publicação de reportagens. “A imprensa não é a favor ou contra nada. A imprensa traz os fatos, sejam eles bons ou maus”, disse.