Há uma clara mudança na percepção dos norte-americanos em relação às gigantes de tecnologia do Vale do Silício, revela nova pesquisa da Gallup e da Fundação Knight. Para 77% dos entrevistados, Facebook, Google, Amazon e Apple concentram poder demais, reforçando o discurso daqueles que defendem a regulamentação dessas companhias no país. Há, porém, uma divisão sobre qual é o melhor caminho para a solução, segundo o estudo: 50% são a favor da divisão das empresas, enquanto 49% se opõem à intervenção do governo.
“As pessoas estão preocupadas com as grandes empresas de tecnologia e seus efeitos na democracia. Mas elas estão profundamente divididas sobre o que deve ser feito. O techlash é real”, disse Sam Gill, vice-presidente sênior e diretor de programas da Fundação Knight. O termo techlash foi cunhado pela revista The Economist para descrever a reação negativa que a onipotência das gigantes de tecnologia.
A pesquisa indica que 74% dos norte-americanos estão muito preocupados com a disseminação de informações falsas na internet, o que sustenta o temor quanto ao gigantismo das empresas digitais. Mas há, segundo o estudo, uma lacuna partidária: a maioria dos democratas (84%) e republicanos (65%) está muito preocupada com esse problema, mas a diferença no percentual revela que a legenda de oposição ao governo Donald Trump está mais alarmada.
A maioria dos entrevistados (60%) diz que as companhias do Vale do Silício fazem mais para dividir a sociedade do que para uni-la (11%); permitem que interesses de poderosos controlem a sociedade (48%) em vez de dar às pessoas o poder de mudar a sociedade (19%); ampliam as visualizações impopulares (52%) em vez de torná-las menos visíveis (17%); criam mais problemas do que resolvem (47%) em vez de resolver mais problemas do que criam (15%) e contribuiem para tornar as pessoas desinformadas em relação ao noticiário (47%) em vez de torná-las informadas (19%). Além disso, 68% estão muito preocupados com a privacidade dos dados pessoais armazenados pelas empresas de tecnologia, enquanto 56% estão muito preocupados com o discurso de ódio ou abusos e ameaças on-line.
Os norte-americanos, segundo o estudo, não acreditam que as empresas de mídia social possam resolver o problema de desinformação em suas plataformas: os entrevistados não confiam muito nas empresas de mídia social (44%) ou no todo (40%) para tomar as decisões corretas sobre qual conteúdo deve ou não ser permitido on-line. Mas os norte-americanos também não pensam que o governo esteja à altura da tarefa: 59% acreditam que políticos eleitos e candidatos estão prestando “muito pouca atenção” a questões relacionadas a empresas de tecnologia. Além disso, ainda preferem (55%) que as empresas tomem as decisões sobre qual conteúdo deve ser publicado em vez do governo (44%).
“A pesquisa ajuda a explicar por que as propostas para regulamentar a Big Tech se tornaram um ponto de discussão popular entre os políticos de ambos os lados do corredor (democratas e republicanos)”, escreve Cat Zakrzewski, jornalista do The Washington Post especializada em tecnologia. “Mas também ilustra por que tem sido tão difícil para os legisladores aprovarem uma legislação significativa sobre privacidade, antitruste ou de transparência nas eleições. Existe um amplo consenso. Há um problema, mas há pouco acordo sobre como resolvê-lo”, analisa.
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