A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) divulgou esta semana um lista com os 20 principais Predadores Digitais da Liberdade de Imprensa de 2020, entre empresas, organizações e governos que colocam em risco a capacidade dos jornalistas informarem, “um perigo evidente para a liberdade de expressão, garantida pelo artigo 19 da Declaração Universal do s Direitos Humanos”. Na listagem, publicada por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Cibercensura nesta quinta-feira (12), data criada pela entidade internacional, está o chamado “gabinete do ódio” atribuído ao governo do presidente Jair Bolsonaro.
A RSF afirma que “gabinete” – cuja existência foi revelada pela deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-aliada do presidente – publica, em grande escala, ataques contra jornalistas. “O grupo (na categoria “perseguição”), composto por conselheiros próximos ao presidente e coordenado por seu filho Carlos, tem na sua mira, entre outros, os jornalistas Patrícia Campos Mello (Folha de S.Paulo), Constança Rezende (UOL, antes O Estado de S.Paulo) e Glenn Greenwald (The Intercept). Suas revelações sobre o governo brasileiro fazem com que sejam frequentemente vítimas de campanhas de ódio nas redes sociais”, afirma a entidade.
A lista composta pelos 20 principais predadores digitais de 2020 é dividida em quatro categorias, identificadas segundo a adoção de processos de “perseguição”, “censura de Estado”, “desinformação ou espionagem e vigilância”. Infraestatais, provadas, ou mesmo informais, essas entidades revelam uma realidade do poder ao final das primeiras décadas do século XXI: os jornalistas investigativos, e todos que desagradam, podem ser alvo de agentes, por vezes, ocultos, informa a RSF.
Alguns Predadores Digitais operam agora em países despóticos, governados por Predadores da Liberdade de Imprensa já repertoriados pela RSF, relata a organização. Mas algumas empresas privadas especializadas em ciberespionagem direcionada localizam-se em países ocidentais como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Alemanha e Israel, continua a entidade.
“Os homens fortes autoritários, que organizam a predação da liberdade de imprensa, estendem sua atuação no mundo digital graças a tropas de cúmplices, subordinados e reservas que também são predadores digitais determinados e organizados, explica Christophe Deloire, secretário geral da RSF. Decidimos publicar uma lista de 20 predadores digitais para revelar uma outra realidade das violações à liberdade de imprensa, mas também para chamar a atenção para o fato de que esses reservas agem, por vezes, a partir dos países democráticos ou em seu interior. Opor-se aos regimes despóticos também pressupõe que as armas da repressão ao jornalismo não lhes sejam entregues do estrangeiro”.