FOLHA DE S.PAULO – 13/03/2020
Diogo Bercito
Há semanas aumentam as críticas, nos Estados Unidos, a como o presidente Donald Trump tem lidado com o coronavírus. Por semanas, ele discordou da gravidade da situação.
Seu anúncio na quarta-feira (11), restringindo a entrada de viajantes vindos da Europa, foi tido como uma guinada brusca para corrigir a rota.
Com a medida, no entanto, o presidente americano pode ter criado uma crise diplomática com seus aliados no bloco europeu –reforçando, com isso, a impressão de que seu governo tem agravado a situação em vez de controlá-la.
Reagindo ao anúncio de Trump, a Comissão Europeia divulgou nota na qual critica as medidas unilaterais.
“O coronavírus é uma crise global, não limitada a um continente, e requer cooperação”, afirma no comunicado o braço executivo europeu. Proibir a entrada de viajantes chegando da Europa foi tido como mais uma medida isolacionista de Trump.
Antiglobalista, o presidente americano insiste em que é preciso construir muros, reais e metafóricos, mas o coronavírus já afeta mais de mil pessoas dentro do país. A capital, Washington, está desde quarta-feira em estado de emergência.
A gravidade da situação no território americano é em parte, segundo especialistas, resultado de políticas desastrosas de saúde pública.
A administração de Trump é acusada de ter desmontado os aparatos de emergência, desacreditado cientistas que trabalhavam para o governo e motivado, assim, uma fuga de cérebros –uma situação que torna mais difícil, hoje, a contenção da crise.
O governo também é criticado por ter feito pouco caso quando soaram os primeiros alarmes. A mesma acusação é feita ao brasileiro Jair Bolsonaro, que se referiu ao vírus como “fantasia” na terça-feira (10), apenas um dia antes de a Organização Mundial da Saúde oficializar a pandemia.