O ESTADO DE S.PAULO – 13/03/2020

Jussara Soares

Infectado com o coronavírus, o chefe da Secom, Fabio Wajngarten, é alvo de críticas dentro do governo pelo modo como conduziu a situação. Para integrantes do alto escalão e pessoas próximas do presidente Jair Bolsonaro, ele não foi transparente sobre seu estado de saúde, mesmo após o avanço da pandemia e o aumento de casos no País.

Wajngarten e a comitiva do presidente embarcaram de volta ao Brasil na terça-feira à tarde. Segundo relatos feitos ao Estado, antes de viajar o secretário estava bem, mas se sentiu mal durante o voo. Na quarta, após a notícia de que Wanjgarten havia passado por exames no Einstein, em São Paulo, o secretário foi ao Twitter dizer que “estava bem”. Apesar dos questionamentos, a Secom informou apenas que não comentaria o assunto, mas também não negou a suspeita. Um assessor disse que o posicionamento era o que Wajngarten havia publicado em seu perfil pessoal.

Um amigo do secretário disse que ele estava contrariado e se recusou a atender os telefonemas de quem queria saber seu estado de saúde. Já um integrante do Palácio do Planalto avaliou que Wajngarten pode ter minimizado a situação ao relatar os primeiros sintomas. Um assessor presidencial criticou o fato de Wajngarten não ter revelado ao público que havia feito exames para coronavírus.

Entre o fim da tarde e o início da noite de quarta, porém, membros da comitiva que foi aos EUA passaram a receber ligações do gabinete da Presidência para que comunicassem quaisquer sintomas. O alerta no governo disparou logo nas primeiras horas da manhã de ontem, após o Estado revelar que o secretário estava infectado.