O GLOBO – 14/03/2020

Os Estados Unidos convocaram, ontem, o embaixador chinês em Washington, Cui Tiankai, para uma reunião no Departamento de Estado, depois que um portavoz da Chanceleria da China afirmou no Twitter que militares americanos teriam sido responsáveis por levar o novo coronavírus ao país.

Sem apresentar provas, Zhao Lijian, um dos porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores, sugeriu que o próprio Exército americano levou a pandemia à cidade de Wuhan, onde a doença começou ase manifestar. —A divulgação de teorias da conspiração é perigosa e avisar que não toleraremos isso, para o bem do povo chinês e do mundo — disse uma autoridade do Departamento de Estado. O porta-voz, conhecido pelo perfil combativo no Twitter, não ofereceu qualquer prova que sustentasse a hipótese de que o Covid-19 tenha sido levado à China por militares americanos que visitaram Wuhan, onde a epidemia começou em dezembro. A teoria vinha circulando há algum tempo na internet, sem comprovação. “Quando o paciente zero começou nos EUA? Quantas pessoas estão infectadas? Pode ser que o Exército americano tenha levado a epidemia a Wuhan. Seja transparente! Os EUA nos devem uma explicação!”, disse Zhao no Twitter. A postagem fez aumentar a tensão entre Washington e Pequim, que vinha se queixando de comentários de autoridades americanas que culpam os chineses pela pandemia e chamam o Covid-19 de “vírus da China”. Na quinta-feira, outro porta-voz da Chancelaria, Geng Shuang, criticou o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien, por ter acusado o país de ter demorado a reagir à crise.


Na terça-feira, o presidente Donald Trump retuitou um post de um apoiador que chamava o coronavírus de “vírus da China”. Na quarta, num pronunciamento sobre a epidemia, Trump também falou em “vírus estrangeiro”. Pequim luta contra essa terminologia desde que o vírus foi descoberto. Na semana passada, o próprio Zhao Lijian argumentou que ainda não se chegou a uma conclusão sobre a origem do vírus.