ZERO HORA – 24/03/2020

Não há, até o momento, casos registrados de transmissão do coronavírus, causador da covid-19, por meio de jornal ou revista impressos, cartas ou embalagens impressas, segundo médicos e cientistas. O comunicado é da International News Media Association (INMA), que informa ter recebido alguns questionamentos sobre isso nos últimos dias.

Com base em orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIH, da sigla em inglês), do John Innes Centre, centro independente de pesquisa e treinamento em ciências vegetais e microbianas da Inglaterra, do periódico científico The Journal of Hospital Infection e pesquisa de fontes secundárias, a INMA traz alguns dados relevantes.
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Segundo a OMS, “a probabilidade de uma pessoa infectada contaminar mercadorias comerciais é baixa e o risco de pegar o vírus que causa a covid-19 em um pacote que foi transportado e exposto a diferentes condições e clima temperado também é baixo”. Para o Centro para Controle de Doenças (CDC) dos EUA, “pode ser possível para uma pessoa ser contaminada por tocar uma superfície que tenha o vírus, mas este não é considerado o principal meio de transmissão do vírus”.

Além disso, um estudo do NIH, em parceria com as universidades da Califórnia e de Princeton, publicado no New England Journal of Medicine, mostrou que o coronavírus dura mais tempo em superfícies lisas e não porosas. Experimentos mostraram que o vírus não era viável após 24 horas em papelão, por exemplo, e a potência dele diminui razoavelmente na exposição ao ar. Para o papel de jornal, que é muito mais poroso do que o papelão, a viabilidade do vírus é presumivelmente ainda menor.  

Para a INMA, todas as evidências científicas sugerem que superfícies de papel porosas, nas quais estão inclusas o papel de jornal, estão protegidas contra o coronavírus. De toda forma, diferentes jornais ao redor do mundo têm adotado medidas de higienização para proteção de funcionários que trabalham na impressão e na distribuição de suas versões impressas, bem como para a de seus leitores.  

No Grupo RBS

O Parque Gráfico Jayme Sirotsky, do Grupo RBS, alterou rotinas e adotou diretrizes que buscam proporcionar maior segurança a seus profissionais e, consequentemente, aos leitores. Há uma intensificação da limpeza de superfícies, portas são mantidas abertas para melhor ventilação, funcionários evitam transitar entre diferentes andares e as escalas de trabalho agora preveem intervalos entre turnos, para que as equipes não se encontrem e não fiquem mais expostas.

Com a partida dos caminhões do parque, as cargas são transportadas até os Centros de Distribuição, que dividirá os exemplares entre os diversos entregadores. Luís Felipe Bueno Ferreira, gerente de Logística do Grupo RBS, também determinou, na última semana, novas medidas de higiene e cuidado para os envolvidos nessas tarefas.

Até então, era comum que os motoristas socializassem em pequenos grupos, conversando e tomando café, antes do início das viagens. Com a recomendação das autoridades sanitárias para que se evitem aglomerações, essas reuniões ficaram proibidas. Além disso, cada pessoa deve respeitar a distância mínima de dois metros uma da outra. Fumantes não devem mais compartilhar isqueiros ou cigarros. O hábito de compartilhar chimarrão também não está mais permitido.

 O contato dos trabalhadores com os jornais é mínimo, já que as pilhas são carregadas pelas cintas plásticas que as envolve, relata Ferreira. Todos que manuseiam os blocos de exemplares, no caminho entre os Centros de Distribuição até os entregadores, estão orientados a limpar as mãos com frequência durante o trabalho. Foi pedido que os entregadores permaneçam o menor tempo possível dentro dos Centros de Distribuição, por serem locais fechados.

 — Os entregadores devem higienizar as mãos antes e depois de manusear o jornal e antes e depois de realizar as entregas – detalha Ferreira. – Disponibilizamos banheiro para a lavagem das mãos nos Centros de Distribuição e álcool gel para os entregadores. Estamos enviando álcool gel para aqueles locais onde há dificuldade de encontrar o produto à venda — ressalta o gerente de Logística.