O GLOBO – 04/04/2020
AMANDA ALMEIDA E NAIRA TRINDADE
O governo Jair Bolsonaro passou a noite da última quinta-feira articulando par atentar evitara prorrogação da CPI das Fake News. A operação, no entanto, fracassou. Embora alguns senadorestenham recuado doap oi oà extensão dos trabalhos do colegiado, outros parlamentares assinaram o requerimento para que ela funcione até outubro.
LÍDER DO GOVERNO QUESTIONA
O líder do governo, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), afirmou que questionará a viabilidade da manutenção da CPI em meio à pandemia . —É impossível pensar que estamos sem (reuniões da) Comissão de Constituição e Justiça e comissões de Saúde. Não é questão de mérito. É do funcionamento da Casa —disse Gomes. Desde a criação da CPI, o governo trabalha para obstruir seu trabalho. Eles acusam a oposição de querer torná-la um “tribunal de exceção” contra Bolsonaro. Em depoimentos, ex-aliados
do presidente, como a ex-líder de governo Joice Hasselmann (PSL-SP), disseram que o Planalto mantém uma organização para espalhar mentiras. Há pedidos de convocação do vereador do Rio Carlos Bolsonaro.
A CPI ainda esbarrou no deputado Eduardo Bolsonaro (SP). Dados encaminhados pelo Facebook mostraram que um perfil investigado por supostamente publicar fake news em apoio a Bolsonaro foi movimentado pela rede da Câmara. Além disso, o email cadastrado para a criação da conta é de Eduardo Guimarães, assessor parlamentar de Eduardo. A última reunião da CPI ocorreu em 4 de março. A seguinte estava marcada para o dia 11 do mesmo mês, com extensa pauta de requerimentos de convocações, quebras de sigilo e determinaçãode providências a autoridades. O encontro foi desmarcado depois do avanço do coronavírus no país, que levou ao esvaziamento do Congresso.