O GLOBO – 04/04/2020

AMANDA ALMEIDA E NAIRA TRINDADE 

O governo Jair Bolsonaro passou a noite da última quinta-feira articulando par atentar evitara prorrogação da CPI das Fake News. A operação, no entanto, fracassou. Embora alguns senadorestenham recuado doap oi oà extensão dos trabalhos do colegiado, outros parlamentares assinaram o requerimento para que ela funcione até outubro.

Encerrado o prazo às 23h59m de anteontem, a oposição garantiu o número necessário de assinaturas para que as investigações sobre o impulsionamento de mentiras continue. O temor do governo é que o colegiado se concentre nos filhos de Bolsonaro. O requerimento para prorrogação foi apresentado com 37 assinaturas de senadores e 209 de deputados. Eram necessárias 27 no Sena doe 171 na Câmara. Ao faze ralei turado documento na sessão, o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), primeiro vicepresidente do Congresso, informou que as assinaturas foram conferidas e aceitas. Regimentalmente, depois dessa leitura, senadores e deputados têm até 23h59m para retirar apoios. Sob comando do líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDBTO), e do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, o Planalto passou a atuar para que parlamentares retirassem sua assinatura. Segundo relatos, o governo concentrou a operação no Senado, porque precisaria retirar menos assinaturas que na Câmara. Enquanto o Planalto agia de um lado, os interessados na prorrogação disparavam mensagens e telefonemas para tentar impedir que senadores desistissem do apoio e ganhar novos aliados. Aguerra de telefonemas durou até o último minuto. O governo conseguiu convencer dez senadores a retirarem o apoio à prorrogação. A oposição e o centrão, no entanto, conquistaram sete assinaturas. Assim, a CPI, que acabaria em 13 de abril, foi prorrogada por 180 dias. — Confirmadíssima (a prorrogação). Neutralizamos as retiradas — comemorou o presidente do colegiado, Angelo Coronel (PSD-BA).


LÍDER DO GOVERNO QUESTIONA

O líder do governo, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), afirmou que questionará a viabilidade da manutenção da CPI em meio à pandemia . —É impossível pensar que estamos sem (reuniões da) Comissão de Constituição e Justiça e comissões de Saúde. Não é questão de mérito. É do funcionamento da Casa —disse Gomes. Desde a criação da CPI, o governo trabalha para obstruir seu trabalho. Eles acusam a oposição de querer torná-la um “tribunal de exceção” contra Bolsonaro. Em depoimentos, ex-aliados

do presidente, como a ex-líder de governo Joice Hasselmann (PSL-SP), disseram que o Planalto mantém uma organização para espalhar mentiras. Há pedidos de convocação do vereador do Rio Carlos Bolsonaro.

A CPI ainda esbarrou no deputado Eduardo Bolsonaro (SP). Dados encaminhados pelo Facebook mostraram que um perfil investigado por supostamente publicar fake news em apoio a Bolsonaro foi movimentado pela rede da Câmara. Além disso, o email cadastrado para a criação da conta é de Eduardo Guimarães, assessor parlamentar de Eduardo. A última reunião da CPI ocorreu em 4 de março. A seguinte estava marcada para o dia 11 do mesmo mês, com extensa pauta de requerimentos de convocações, quebras de sigilo e determinaçãode providências a autoridades. O encontro foi desmarcado depois do avanço do coronavírus no país, que levou ao esvaziamento do Congresso.