O GLOBO – 05/04/2020
Em tempos de dúvidas e poucas garantias na batalha contra o novo coronavírus, a ciência assumiu protagonismo e despertou como nunca o interesse dos leitores. Para mostrar o que você precisa saber, a partir do avanço das pesquisas sobre a Covid-19 em diferentes campos de conhecimento, O GLOBO selecionou um time de cientistas e médicos para a seção “A hora da Ciência”, que começa a ser publicada amanhã. O espaço vai reunir textos de cinco colunistas fixos e poderá receber colaborações eventuais de outros especialistas.
— Nós analisamos o comportamento do nosso leitor e nos surpreendemos com o enorme interesse pelos conteúdos científicos sobre a Covid-19 — afirma Alan Gripp, diretor de Redação do GLOBO.
A estreia será da microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que na primeira coluna vai abordar a polêmica sobre o uso da cloroquina, testada em pacientes em estado grave.
— A cloroquina é uma velha conhecida e uma velha decepção para doenças causadas por vírus —adianta Natalia. —Vou defender não somente o uso da ciência como guia para formulação de políticas públicas em todos os momentos, mas principalmente em uma emergência como a atual. E também ajudar o leitor a entender a diferença entre ciência de qualidade e ciência mal feita. A pneumologista Margareth Dalcolmo, professora e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publica a sua coluna na terça-feira: —Após a experiência de outros países, poderemos analisar e saber o que foi feito de certo e de errado. Precisamos ficar atentos ao que foi feito. Houve erros e acertos e temos que aprender com eles. Na quarta-feira, a contribuição será do virologista Amílcar Tanuri, chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Departamento de Genética da UFRJ: — Pretendo abordar na minha coluna aspectos da virologia do Sars-CoV-2, a resposta imune dos pacientes infectados e diagnóstico.
Na quinta, o neurocientista Roberto Lent, professor emérito da UFRJ e pesquisador do Instituto D’Or, vai falar sobre os impactos das recentes descobertas:
— A ideia é abordar os impactos neurológicos, neuropsicológicos e psiquiátricos da Covid-19. Esses impactos serão comentados não apenas com referência aos indivíduos infectados, mas também à população submetida a condições de isolamento. Na sexta, a médica Patricia Rocco, professora titular e chefe do Laboratório de InvestigaçãoPulmonar do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho( UFRJ) e membro da Academia Nacional de Medicina e Brasileira de Ciências, escreve sobre aforma como a Covid-19 acomete os pulmões dos infectados. —Vou tratar de tem ascomo o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para doentes com quadro leve e outros internados nas UTIs. As alterações neurológicas e cardiovasculares que eles podem vir a apresentar também serão abordadas.